segunda-feira, 12 de setembro de 2011

'Fernando Charrua: A “máquina” dos ex- MEs está ainda activa e fará toda a resistência possível para impedir o esperado êxito'

Publicado no PROFBLOG:




ProfBlog - Depois do saneamento político de que foi alvo, quais têm sido as funções que desempenhou?

Fernando Charrua - Afastado em Abril de 2007, e até ao final do ano lectivo, não exerci qualquer função específica.

Fiquei , das 9 às 5 ao serviço, qualquer serviço, na Biblioteca da Escola. Supliquei trabalho, assinei o ponto, abeirei-me de Alunos para apoio ao estudo, ofereci-me para vigilante de exames escritos, o que me foi concedido e fiz até, voluntariamente pequenas reparações e restauros. A partir de 2007/2008 sou docente de Inglês, com horário completo. Na componente não lectiva, desenvolvo toda a área processual disciplinar (Estatuto do Aluno e seus procedimentos) e pedagógica (equiparação e equivalência de estudos nacionais e estrangeiros) e tudo o que a Direcção da Escola solicitar.

ProfBlog - Olhando para trás, qual terá sido o verdadeiro motivo do seu saneamento da DREN?

Fernando Charrua - O motivo é conhecido. Os então dirigentes conviviam mal com a crítica e pensamento divergente. Dispenso-me de citar conhecidos exemplos a nível nacional.

ProfBlog - Qual é a sua opinião sobre a anunciada extinção das DRE
?

Fernando Charrua - Inexorável. As competências progressivas nas direcções das Escolas implicam meramente um gabinete jurídico que venha a dirimir os conflitos daí resultantes e um dirigente com competência executória com sede em estruturas existentes.-(CDR ou Município)

ProfBlog - Qual é o balanço que faz dos dois meses de governação de Nuno Crato
?

Fernando Charrua - Nova atitude dialogante, abertura à discussão séria do importante, pragmatismo sem fugas à verdade. O novo MEC começou a implodir a imagem de bloqueio que os anteriores – Lurdes Rodrigues e Isabel Alçada tinham fabricado contra os professores e Escolas. A “máquina” dos ex- MEs está ainda activa e fará toda a resistência possível para impedir o esperado êxito.

ProfBlog - A poucos meses de se aposentar, qual é a mensagem que gostaria de deixar aos colegas mais novos?

Fernando Charrua - Portugal está em contra-ciclo com a Europa no que ao Sistema Educativo diz respeito.

Vamos todos lutar por “uma escola, dois sistemas”- um de via geral e um outro, paralelo, de via pré- profissionalizante. O insucesso repetido no primeiro implicará a passagem a outro, igualmente digno. Arrastar os Alunos até ao 9º ano ou até aos 15 anos , contra a sua vontade, não é digno.

Mensagem? A seriedade ainda é uma virtude de que todos os professores se orgulham. Para continuar a ser sérios, temos de expressar, sem medo, o que nos vai na alma. A Escola não pode ser o mero reflexo da sociedade, tem de ser diferente, ou então deixa de ser Escola. A escola não é o sítio dos afectos , do mero convívio e da aquisição de nebulosas competências não testadas. A escola é o sítio do esforço, camaradagem…pois claro…e onde se prestam contas aos cidadãos, pelo resultado do nosso trabalho com os alunos, desde que os pais assumam a responsabilidade total pelo comportamento dos filhos, por mais que lhes custe. Vai custar, mas tem de ser!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

"A Minha Sala de Aula é uma Trincheira"

Notícia do Profblog:



Bárbara Wong publica novo livro

A jornalista do Público, Bárbara Wong, publicou recentemente um novo título: A Minha Sala de Aula é uma Trincheira: 10 Mitos sobre os Professores. A chancela é da Esfera dos Livros. O prefácio é do editor do blogue Educação do Meu Umbigo, Paulo Guinote.
O livro destina-se a estudantes, professores e pais. Numa linguagem simples e acessível, mas com rigor, Bárbara Wong apresenta e discute 10 mitos sobre os professores.
Os 10 mitos são:

Os professores não querem ensinar
Os professores não querem ser avaliados
Os professores estão sempre de férias
Os professores não têm autoridade
Qualquer um vai para professor
Os professores não querem saber dos alunos
Os professores faltam quando querem
Os professores não sabem educar
Os professores têm uma grande vida
Os professores não sabem nada.



Aconselho a leitura do livro aos estudantes que se preparam para ser professores, aos pais e aos docentes em geral. Bárbara Wong escreve com elegância e sabe do que fala. Os retratos e as histórias da profissão docente que Bárbara Wong recolhe neste livro mostram um olhar de alguém que sabe dar valor à profissão docente.

"Nuno Crato não sabe o que é uma escola"



Santana Castilho
"Nuno Crato não sabe o que é uma escola"


Professor defende que o ministro da Educação começou “o reinado como um autêntico palhaço da avaliação do desempenho” dos professores e fala em impreparação
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Por:Janete Frazão / João Pereira Coutinho


Correio da Manhã - Foi convidado por Pedro Passos Coelho para ministro da Educação?

Santana Castilho - Não, não fui convidado para ser ministro.

- Mas esperava ser convidado?


- Se tivesse surgido, seria a consequência - porque não dizer, com honestidade - de um trabalho [colaboração no programa eleitoral do PSD] e de diálogos, dos quais poderia retirar que essa era uma probabilidade.

- Está satisfeito ou desiludido com a actuação do Governo?

- Profundamente desiludido.

- Porquê?


- Porque me parece evidente que se trata de um Governo genericamente impreparado, designadamente o primeiro-ministro, que revela essa impreparação.

- Além da eventual impreparação, pode haver situações não previstas que alteram as intenções iniciais...

- É evidente que pode pôr em causa, mas também é evidente que, observando aquilo que é feito, vê-se que não há preparação. Veja do ponto de vista económico. O que é que foi dito? Que não iam aumentar impostos. Um político não pode fazer afirmações da maneira assertiva que Pedro Passos Coelho fez sem conhecer a realidade.

- Nuno Crato está à altura do cargo de ministro da Educação?


- Não, não está. Demonstrou já não ter reflexão e conhecimento dos problemas que se põem ao sistema educativo no terreno.

- É capaz de dar exemplos?

- O velho problema da avaliação do desempenho dos professores. O que é que ele fez? Por não ter nada pensado, e com a gravidade de ser econometrista e de querer resumir os problemas da Educação a problemas de medição, fez exactamente aquilo que o primeiro-ministro se tinha comprometido a não fazer, numa das cambalhotas e numa das manifestações de desonestidade política mais evidentes.

- Antes de ser Governo, o PSD comprometeu-se, de facto, com uma ruptura com o modelo de avaliação. Não o fez. Como avalia a última proposta apresentada aos sindicatos?

- O modelo é tecnicamente miserável, e, do ponto de vista humano, é kafkiano e monstruoso. É a terceira versão do modelo Maria de Lurdes Rodrigues. Este modelo incendiou as escolas, adulterou aquilo que deve ser a essência de uma escola, que é um trabalho cooperativo entre os professores.

- Qual seria o modelo ideal?

- Aquele que não seja universal, que seja construído pelas pessoas que vão sofrer as consequências da sua aplicação e respeita a autonomia das escolas.

- Teria sido preferível suspender a avaliação e preparar um modelo melhorado para o ano?

- Nuno Crato não sabe o que é uma escola, não conhece a realidade do sistema educativo. Se conhecesse, faria aquilo que qualquer pessoa sensata faria: suspender. Qual a coerência disto? É rude o que estou a dizer, a linguagem é metafórica, mas ele próprio põe o nariz, veste o fato e começa o reinado como um autêntico palhaço da avaliação do desempenho.

- Como explica os maus resultados nos exames nacionais?

- Não sei responder. É evidente que há variáveis. Os exames flutuam ao sabor de critérios, tempos, metodologias. Flutua também a qualidade dos professores, o ambiente. Não imaginam o que é hoje a vida na escola. A actividade dos professores é marcada por burocracias administrativas absolutamente ridículas.

- Alguns dos pontos que refere são prioridade do actual ministro...

- Uma coisa é falarmos no plano inclinado, outra coisa é actuarmos. Isso são tretas. Nuno Crato não fez nada disso. Também disse que já não fechavam escolas e, passado pouco tempo, eram duzentas e tal.

- Extinguiu direcções regionais.

- Não é verdade. Anunciou a extinção para daqui a um ano, nomeando nesse dia nove directores regionais e mantendo a estrutura como estava.

- O Governo prevê poupar, em 2012, 506,7 milhões de euros na Educação. A qualidade do ensino sairá prejudicada?

- Obviamente, mas sairá mais prejudicada pela incompetência das pessoas que dirigem a política de ensino. O corte não é iniciativa do Governo, é imposto pela troika. Agora, era dispensável esta subserviência do primeiro-ministro, que passa a vida a agradecer a ajuda que a Europa nos deu, quando está a falar de um negócio em que os prestamistas ganham imenso dinheiro.

- Gostava que o Governo lhe explicasse o que vai fazer com o Novas Oportunidades?

- Gostava. O programa é uma farsa total. Num quadro de dificuldades, é evidente que prefiro ter dinheiro para a educação básica de uma criança a ter dinheiro para dar uma segunda oportunidade aos adultos.

"PEDRO PASSOS COELHO CHEGOU AO GOVERNO SEM IDEIAS DEFINIDAS"

CM - Além da suspensão do modelo de avaliação de professores, sugeriu outros nove princípios orientadores da Educação a Passos Coelho. Foram todos ignorados?


SC - Genericamente, sim. Estão publicados. Se vir a proposta do PSD apresentada na Assembleia da República, no livro que escrevi com a incumbência de Pedro Passos Coelho...

- E já falou com Pedro Passos Coelho depois de tomar posse?

- Não. A última vez que falei com ele foi no dia em que ele publicamente se comprometeu, sem nenhum pedido feito por mim... aliás, posso contar-lhe a história...

- Se fizer favor.

- Dois dias antes da divulgação do programa eleitoral, falei com Pedro Passos Coelho pelo telefone e manifestei a minha perplexidade por nada do programa de coordenação, para o qual me tinha sido pedida ajuda, ter sido feito. E, na véspera de o programa ser anunciado publicamente, era uma e tal da manhã, recebi, enviado do iPad de Passos Coelho, com pedidos de desculpa, o programa. Quando o leio, vejo que na parte da Educação, tirando três ou quatro frases plagiadas sem autorização e grosseiramente copiadas, não era nada daquilo que eu tinha proposto.

- E não questionou o que se tinha passado?

- Obviamente. Telefonei imediatamente e perguntei o que era aquilo. Do outro lado, obtive silêncio. Depois, perguntou-me sobre a disponibilidade para melhorá-lo. Disse que era total.

- Mas se o programa era incompatível com aquilo que defendia, o que ainda havia a resolver?

- Há aqui alguma coisa que não conheço, é saber porque é que Pedro Passos Coelho andou durante quase um ano a falar comigo, concordando com tudo o que lhe ia propondo, e depois aparece um programa que não tem nada a ver com aquilo com que concordámos. Este é um mistério para mim.

- Tem ideia do que se possa ter passado?

- Para mim, tem uma explicação que não posso tornar pública porque não posso provar.

- Alguém já se teria comprometido com Nuno Crato?

-Não sei. Ou melhor, aquilo que sei não é passível de ser provado.

- Crê que essa mudança foi de Pedro Passos Coelho e apenas de Pedro Passos Coelho?

- Penso que Pedro Passos Coelho chegou ao Governo sem ter ideias definidas sobre muita coisa. E penso que tem uma razoável impreparação para desempenhar o cargo que está a desempenhar. E que vai fazendo uma navegação à bolina, tentando conciliar pressões que, naturalmente, sofrerá.

PERFIL

Santana Castilho nasceu em Beja, em 1944. É professor coordenador na Escola Superior de Educação de Santarém, que fundou. Foi subsecretário de Estado dos Assuntos Pedagógicos e subsecretário de Estado Adjunto do Ministro da Educação e Universidades no governo liderado por Pinto Balsemão.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Isto é Siciliano...

Educação: Funcionária do Ministério pressiona dirigentes

Directores foram alvo de ameaças

Uma funcionária do Ministério da Educação e Ciência (MEC), de nome Cristina Gamito, é acusada de ameaçar directores de escolas, caso estes não adquiram bens para os respectivos estabelecimentos através da central de compras do Governo.

Por:Bernardo Esteves

A funcionária trabalha no Centro de Aprovisionamento Integrado (CAPI), unidade de compras do MEC que dá apoio à Agência Nacional de Compras Públicas. "Dezenas de directores já foram ameaçados por essa senhora com processos disciplinares se não comprarem através da central de compras como manda a lei", acusa Adalmiro Fonseca, presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), que garante ir apresentar uma queixa formal no MEC contra a funcionária. A tutela garantiu ao CM que "caso haja uma queixa seguirá os procedimentos adequados".

Os directores contestam a obrigatoriedade de fazer compras através da central, alegando que muitas vezes conseguem comprar "melhor e mais barato" junto de outros fornecedores. "É uma estupidez comprar mais caro com o dinheiro dos contribuintes", refere Adalmiro Fonseca, que conta negociar este mês com o MEC alterações ao actual regime.

nu xangay é mxmu axim...



E em breve vai ser assim no País todo, se não se põe a mão nisto...

Urina em Tribunal



Imaginem numa sala de aula...

sábado, 3 de setembro de 2011

Tenho para mim que a culpa é dos professores...



São do Bairro Xangai, Póvoa de Varzim. Andam todos na escola, para os pais receberem casa de borla, subsídios, e terem uma fonte oficial de rendimentos. Acho que a culpa de estes indivíduos andarem pelas ruas a torturar pessoas, a virar automóveis e a aterrorizarem quem trabalha, é dos professores. Os sociólogos da educação, os socialistas, e de um modo geral toda a gente que odeia professores, devem dirigir-se às escolas onde estes meninos "estudam" e irem imediatamente ensiná-los como deve ser! Estou certo que depois de uma aula e de "uma conversa franca e aberta", eles nunca mais fazem maldades e tiram o curso de medicina com 20 valores!

Vamos, amigos! Aceitem o meu repto! Nós, professores, só sabemos levar bordoadas e cuspidelas destes tipos bêbados e drogados. Vocês, que possuem toda a luz, candidatem-se a professores.

Afinal de contas, nós até nem trabalhamos nada! 5 horas de aulas por dia, mais 2 ou 3horas para reuniões, preparação de aulas, correcção de exercícios, tarefas administrativas, são apenas 7, 8 ou 9 horas de trabalho por dia. E dar aulas não custa nada! Imaginem uma sala cheia destes amorosos! Força! Venham mostrar como se faz!