quinta-feira, 25 de março de 2010

As Ideias de Paulo Rangel


O Público online de hoje traz um inquérito aos candidatos à liderança do PSD sobre as suas ideias para o Ensino. Não faço ideia do que pode estar por trás das palavras dos candidatos, porque, sendo eles políticos, são mestres na arte de bem falar... e de agradar a todos, se possível.

Há ideias muito boas "no papel", mas cuja interpretação prática pode deitar a perder.

Não sou do PSD, ninguém me pediu opinião, mas Paulo Rangel parece-me o que tem ideias mais assentes sobre o tema. Resta saber se há agendas escondidas, cedências a lóbis, etc. Destaquei a verde o que mais me agradou, e a encarnado o que me desagradou.

Não sou entusiasta do "ensino pré-escolar". Todos devem ter direito à infância. O hábito de se armazenar crianças desde tenra idade e de lhes monitorizar a vida até ao ínfimo pormenor, gera adolescentes rebeldes, fartos de regras. E adultos insatisfeitos, "incompletos".

Continuo à espera de um Chefe de Governo e de um Ministro que não vire a casa do avesso assim que chega. Que saiba efectivamente o que deve ser o Ensino, que tenha, numa palavra, capacidade para o cargo.


"Paulo Rangel
Eurodeputado


O principal problema da educação é a falta de exigência e disciplina no ensino. E não já o carácter público ou privado das escolas ou a controversa avaliação dos professores. O facilitismo e o laxismo socialistas têm de ser banidos.

Apenas os valores da exigência e da autoridade transformam a escola numa instância social de transmissão do conhecimento. Só a escola exigente é uma escola inclusiva, uma vez que os estratos sociais mais desprotegidos só têm a oportunidade de aprender na escola. Os exames nos diferentes ciclos do básico e no secundário, a avaliação da oralidade e os trabalhos de casa, por exemplo, são instrumentos que podem reforçar os mecanismos de exigência.

O ensino técnico-profissional deve passar a ser uma prioridade da educação em Portugal, afastando tabus e preconceitos do passado. Trata-se do meio mais eficaz de combate ao abandono escolar e de promoção da mobilidade social, conferindo ferramentas de trabalho facilitadoras da entrada no mercado de emprego. É também fundamental tornar universal e mesmo obrigatório o ensino pré-escolar como factor decisivo para o futuro sucesso escolar. Tudo isto no quadro de uma escola mais autónoma, com projecto e gestão descentralizada, em que a liberdade de escolha (mesmo nas públicas) seja incrementada."

terça-feira, 23 de março de 2010

SINDEP - Comunicado

COMUNICADO DE IMPRENSA

VIOLÊNCIA NA ESCOLA É CONSEQUÊNCIA DA OMISSÃO E NEGLIGÊNCIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO


O Ministério da Educação (ME) foi inerte quanto a políticas contra a violência nas escolas e inoperante, perante a denúncia em 2007, protagonizada pela FENEI/SINDEP, que, analisando estudos sobre a violência nas escolas, com agressões a professores, na escola e fora dela, a funcionários e a alunos, e o seu crescimento constante, pretendeu, na altura, não só alertar o ME de então, presidido por Maria de Lurdes Rodrigues, como outras entidades, e ainda elaborar medidas preventivas. Da parte do ME, acresceu o ataque à autoridade dos professores e ao seu profissionalismo, plasmados no Estatuto da Carreira Docente (ECD) e no Estatuto do Aluno (EA). Daí até hoje, a crise social e económica agravou-se às condições de convivência social e diminuiu, ainda mais, a autoridade democrática dos docentes.
Em reuniões solicitadas, a FENEI/SINDEP foi recebida pela Comissão de Educação Ciência e Cultura da Assembleia da República, pelo presidente da Comissão de Reforma do Código Penal, Rui Pereira, e pelo procurador-geral da República, Fernando Pinto Monteiro.
De todas as diligências efectuadas, o procurador-geral da República assegurou que, nos termos do art.º 145 do Código Penal, prevê-se que as ofensas à integridade física produzidas contra os docentes (entre outros agentes) eram susceptíveis de revelar a especial censurabilidade ou perversidade do agressor. São considerados crimes públicos, uma vez que não prevê, para este tipo de crime, a necessidade de o procedimento criminal depender de queixa do ofendido.
Assim, os crimes públicos são aqueles em que o Ministério Público (MP) tem legitimidade para accionar o processo penal. Bastará, para o efeito, que as ofensas sejam participadas ao MP ou que este delas tenha conhecimento.
Foi recomendado, à FENEI/SINDEP, pelo procurador-geral da República, que fossem participadas ao MP, pelos directores de escola, outros professores ou qualquer cidadão, todas as agressões a docentes, no sentido de serem executados os respectivos procedimentos criminais.
Contudo, a recomendação não teve seguimento no ME, por este não dar orientações e instruções à comunidade educativa sobre esta matéria.
Esta omissão de há 3 anos até hoje conduziu a graves situações, com mortes originadas pela violência na escola. Por isto, temos de responsabilizar a ausência de políticas contra a violência instalada na escola, por parte do ME.



A FENEI/SINDEP espera que a nova ministra da Educação recupere, rapidamente, o legislado, para que o MP encaminhe os casos graves para os tribunais ou serviços tutelares de menores. Há leis e instituições, que podem punir, exemplarmente, os agressores! Tem de haver uma nova política na Escola Portuguesa e esperamos uma actuação célere da ministra da Educação, a quem já pedimos, há mais de uma semana, uma audiência.



Lisboa, 22 de Março de 2010

O Presidente da FENEI
e Secretário-Geral do SINDEP

Carlos Alberto Chagas

Comunicado de Imprensa do SINDEP

"Não importa a morte... o 'prof' até era louco!"



Texto de Ricardo Miguel Vasconcelos

Não importa a morte... o 'prof' até era louco!

Segundo os jornais 'Público' e 'i', o professor de Música que se suicidou a 9 de Fevereiro deste ano, parou o carro na Ponte 25 de Abril, em Lisboa, e atirou-se ao rio Tejo. No seu computador pessoal, noticiam os dois diários, deixou um texto que afirmava: 'Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio', disse o licenciado em Sociologia.
O 'i' coloca o 9B no centro deste caso, escrevendo que os problemas do malogrado professor tinham como foco insultos dentro da sala de aula, situações essas que motivaram sete participações à direcção da escola, que em nada resultaram.
E à boa maneira portuguesa, lá veio o director regional de Educação de Lisboa desejar que o inquérito instaurado na escola de Fitares esclareça este caso. Mas também à boa maneira deste país, adiantou que o docente tinha uma 'fragilidade psicológica há muito tempo'.
Só entendo estas afirmações num país que, constantemente, quer enveredar pelo caminho mais fácil, desculpando os culpados e deixar a defesa para aqueles que, infelizmente, já não se podem defender.


É assim tão lógico pensarmos que este senhor professor, por ter a tal fragilidade psicológica, não precisaria de algo mais do que um simples ignorar dos sete processos instaurados àquela turma e que em nada deram? Pois é. O 'prof' era maluco, não era? Por isso, está tudo explicado.
A Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL), à boa maneira portuguesa, colocou psicólogos na tal turma com medo que haja um sentimento de culpa. E não deveria haver? Não há aqui ninguém responsável pela morte deste professor? Pois é, era maluco, não era?
José Joaquim Leitão afirmou que os meninos e meninas desta turma devem ser objecto de preocupação para que não haja traumas no futuro. 'Temos de nos esforçar para que estas situações possam ser ultrapassadas. Trata-se de jovens que são na sua generalidade bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode vir a condicionar pela negativa', afirmou.
Toca a tomar conta dos meninos e meninas porque não pode haver um sentimento de culpa. É verdade! O 'prof' era louco, não era?
Não estou a dizer que haja aqui uma clara relação causa-efeito. Mas alguma coisa deve haver. Existem documentos para analisar, pessoas a interrogar, algumas responsabilidades a apurar. Por isso, neste 'timing', a reacção da DREL é desequilibrada. Só quem não trabalha numa escola ou não lida com o ambiente escolar pode achar estranho (colocando de lado a questão do suicídio em si) que um professor não ande bem da cabeça pelos problemas vividos dentro da sala de aula em tantas escolas deste país.


Não se pode bater nos meninos, não é? Os castigos resultantes dos processos disciplinares instaurados aos infractores resultam sempre numa medida pedagógica, não é? Os papás têm sempre múltiplas oportunidades para defenderem os meninos que não se portaram tão bem, não é? É normal um aluno bater no professor, não é? É normal insultar um auxiliar, não é? É normal pegar fogo à sala de aula ou pontapear os cacifes, não é? É normal levar uma navalha para o recreio, não é? É também normal roubar dois ou três telemóveis no balneário, não é? E também é normal os professores andarem com a cabeça num 'oito' por não se sentirem protegidos por uma ideia pedagógica de que os alunos são o centro de tudo, têm quase sempre razão, que a vida familiar deles justifica tudo, inclusive atitudes violentas sobre os colegas a que agora os entendidos dão o nome de 'bullying'?
De que valem as obras nas escolas, os 'Magalhães', a educação sexual, a internet gratuita ou os apelos de regresso à escola, uma espécie de parábola do 'Filho Pródigo' do Evangelho de São Lucas (cap.15), se as questões disciplinares continuam a ser geridas de forma arcaica, com estilo progressista, passando impunes os infractores?
Só quem anda longe do meio escolar é que ficou surpreendido com o suicídio do pequeno Leandro ou com o voo picado para o Tejo do professor de Música. Nas escolas, antigamente, preveniam-se as causas. Hoje, lamentam-se, com lágrimas de crocodilo, os efeitos. O professor era louco, não era? Tinha uma clara fragilidade psicológica, não tinha? Pobre senhor. Se calhar teve o azar de ter que ganhar a vida a dar aulas e não conheceu a sorte daqueles que a ganham a ditar leis do alto da sua poltrona que, em nada, se adequam à realidade das escolas de hoje."


Nota do Irrelevante: À boa maneira do velho estalinismo, quem teima em dizer que preto é preto, e que branco é branco, quando o Poder decreta o contrário, é considerado "louco".

No blog "Jugular" (mais um a soldo do Poder), a psiquiatra (!!!) Ana Pires, é das que subscreve a tese do "professor louco"!

domingo, 14 de março de 2010

«Fala-se muito de bullying, mas o correcto é chamar-se má criação.»

«E é neste ponto que o psiquiatra Manuel Louzã Henriques também se concentra. “É essencial que os professores sejam respeitados, que tenham autoridade e que possam aplicar uma disciplina actuante.” Para o clínico, actualmente os professores não são respeitados, considerando que os alunos vêem os docentes como alguém para “dar marradas”, até porque os próprios encarregados de educação acham que podem “bater e exigir dos professores”.

Louzã Henriques salienta ainda que “fala-se muito de bullying, mas o correcto é chamar-se má criação. A sociedade quer que cada um acorde o selvagem que tem em si. Pessoas vistas como tímidas ou que gostam de reflectir sobre os assuntos são muitas vezes vistas como frouxas”. Firmeza, não enveredar pela hipertolerância, são soluções a adoptar.
»

Evocação – Luís Carmo


Poema de Isabel Fidalgo, publicado em A Educação do meu Umbigo

.
A culpa não tem desculpa
E a morte não tem regresso.
O resto é o deserto sufocado
Na jaula do silêncio
Onde o medo se mede
Ao milímetro minuto
Enquanto a tela se tece
Com negro de breu.
Uma clave de sol com dó de si
Numa arena de tigres
Retocando nos retalhos da chacota
O seu nocturno de Chopin.
Faça-se silêncio por favor
Que o pavor ainda ressoa
À tona das águas.

Maria Isabel Fidalgo



Que possa finalmente ter encontrado paz, colega Luís Carmo.

sábado, 13 de março de 2010

Avalancha! (Finalmente...)



Manual Das Más Práticas Pedagógicas

«E há manual de instruções para isso? Há soluções. A primeira é fazer um "contrato pedagógico" na primeira aula, em que professor e alunos acertam as regras. Que são para manter ao longo do ano e lembrar quando esquecidas. Depois, o docente tem que deixar claro que não é o inimigo, nem agente da autoridade, mas sim o líder de um trabalho em equipa que exige "empatia", sem ser preciso "serem amigos". Mas adoptar uma atitude hostil perante a indisciplina é errado, diz Márcia Melo: os alunos fazem o mesmo e o problema irá em crescendo. Márcia Melo, call center da "linha" dos Professores. » (...)

in Educação S.A.

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Aquilo Que Interessa Mesmo

Concordo que não se devem estabelecer relações causais nlineares entre os factos conhecidos, nem apontar o dedo de forma irresponsável a ninguém.
Mas há aquilo que tecnicamente se chama parvoíce. Essa classificação adequa-se que nem uma luva a este naco de prosa:
Também ontem o director regional de Educação de Lisboa esclareceu que, a par do inquérito aberto na sequência da morte do professor, tudo será feito para ajudar os alunos. ” Temos de nos esforçar para que estas situações possam ser ultrapassadas. Trata-se de jovens que são na sua generalidade bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode vir a condicionar”, defendeu José Joaquim Leitão, que adiantou que contarão com uma equipa de psicólogos. No último ano, a escola obteve uma média 2,95 valores (numa escala que vai até cinco) nas provas nacionais do 9.º ano e ficou no lugar 611 no ranking das escolas. (
Público)

in A Educação do meu Umbigo

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A responsabilização dos jovens é uma necessidade

Foi para mim um choque quando li no Correio do Minho, esta afirmação “José Joaquim Leitão afirmou que os meninos e meninas desta turma devem ser objecto de preocupação para que não haja traumas no futuro. 'Temos de nos esforçar para que estas situações possam ser ultrapassadas. Trata-se de jovens que são na sua generalidade bons alunos e que não podem transportar na sua vida uma situação de culpa que os pode vir a condicionar pela negativa'”. (...)

in Profblog

Madalena e o Pombo, ou O Testemunho Certeiro, Definitivo!



Alguém, esta noite, por dever de cidadania, resolveu dizer de sua justiça. E disse tudo. Na perfeição. Sem papas na língua. Um texto que vale toneladas de livros e quilómetros de blogues, horas de discursos e maratonas de debates.




Sou uma pessoa pouco dada a falar de doenças: prefiro o Sol, o Mar, a Música e as Artes.
Só o saber que vou ter de reinvocar aqui o nome de Lurdes Rodrigues é para mim penoso, mas a noite obriga-me, por dever de cidadania, a fazê-lo.

Se me perguntassem quem contaminou, e destruiu, para sempre, o nosso Sonho Europeu, eu responderia, Aníbal Cavaco Silva.
Se me perguntassem quem escolheria para epígrafe de uma futura crónica dos Anos Negros do Chavismo Socratista, eu escolheria Lurdes Rodrigues, o busto da ignomínia de todo este período.

Desde Cavaco, a família tradicional degenerou numa coisa, em forma de alforreca, que inclui, invariavelmente, um drogado, um desempregado de longo curso, um gajo com costumes sexuais exóticos, e muitos rendimentos obtidos na Economia Paralela. Com o tempo, ou seja, com o Socratismo, depois de uma breve deriva guterrista, que foi o Ovo da Serpente, todos se converteram em pensionistas antecipados, alcoólicos, divorciados e proxenetas do Estado.

Um belo dia, por desfastio, resolveram pôr os filhos na Escola.

Como Foucault dizia, e muito bem, o Sistema de Ensino apenas tende para cristalizar as assimetrias culturais e económicas, fazendo com que os mais miseráveis perpetuem os seus miserabilismos, e os mais ricos, o vazio da sua pobre riqueza. De quando em vez, é certo, há um talento, que dá um chuto no Sistema, e, então, faz-se História, mas, pelo meio, perderam-se gerações, e o "Titanic" rasgou-se ainda mais, na ponta do seu icebergue.

Eu sei que o tema não me agrada, e também não é ingenuamente que a Comunicação Social vem agora desenterrar, simultaneamente, um suicídio de um aluno perseguido, e de um professor acossado, mas eu posso aproveitar a boleia, e dizer o que me apetece, e não o que lhes convem, e vou fazê-lo, embora sem grande vontade.

Há muito que defendo a existência de uma Carta de Procriação, tal como existe a Carta de Condução: ou passa-se, ou chumba-se, e há penalizações por pontos. A partir de um determinado patamar, o núcleo macho/fêmea é, pura e simplesmente, impedido de se reproduzir, e de lançar mais ruído humano, numa sociedade, já de si, traumatizada.
Uma larga faixa de Portugueses devia ser impedida de ter filhos, por incompetência, inexistência de padrões morais e de condições mínimas de Humanidade, e esta frase é fatal, porque vai colidir com uma das mais perniciosas instituições do Ocidente, a Igreja de Roma, coio de criminosos cúmplices do latrocínio, da intimidação, da tortura, de ditaduras, do Nazismo e da Pedofilia, entre outros pequenos luxos.
Para mim, não-cristão, alheio ao valores do determinismo do casamento, fervoroso combatente contra a procriação a todo o custo, e pagão, de emoções e razões, ponho já aqui o dedo na primeira ferida, porque todas as outras não são mais do que obscenas consequência desta.

No séc. XXI, a pior forma de poluição é, portanto, a poluição humana, e todos os discursos moralistas e ambientalistas contornam, um atrás do outro, esta frase, como se de um anátema se tratasse. Para mim, pelo contrário, nem é sequer uma hipótese, e antes se trata de um rígido axioma, no qual radica a maior parte dos problemas mundiais presentes.
Quando quiserem corrigir a crise da Contemporaneidade, comecem por aqui, e enquanto não forem por aí, não contem comigo para nada.

A Família média, portanto, tornou-se num cancro representativo social, e num obstáculo ao desenvolvimento das sociedades: é o berço e a estufa dos vícios, do vale-tudo, da proveta do desenvolvimento dos pequenos monstros, futuros analfabetos funcionais, estrangulados entre dias inteiros de televisão, jogos de violência, e padrões de relacionamento social infetado de todas as porcarias imagináveis, desde os preconceitos de hierarquização aos lugares comuns do politicamente correto sexual.

No fundo, e estava agora a recordar a recente história da Madalena e do pombo, coisa que só eu eu ela sabemos do que se trata, que piedade poderei eu sentir, perante um canalha, de 15 anos, que está, à porta da escola, entretido, a torturar um animal, e sente, como um abuso, quando a mão de uma professora, lhe tenta tirar a vítima da mão?
Objetivamente, se não estivéssemos num mundo que perdeu as defesas, era esbofeteá-lo à antiga portuguesa, com o recado de vai agora contar à tua mãezinha que te partiram, e bem, a cara, à porta da escola.

O Leandro matou-se, porque a Dona Lurdes, quando começou a apertar os cordões à bolsa, esqueceu-se de que a sua tutela era a forma de todas as almas futuras, e, quando ali cortasse nos gastos, estaria a cortar na própria Civilização, como fizeram todas as culturas, quando entraram no seu típico período de decadência.
Maria de Lurdes Rodrigues, esse monstro inominável, com as suas hipóstases, o Hipopótamo da DREN, o Caniche Valter Lemos e mais um quantos afins, pura e simplesmente, procedeu ao enterro dos derradeiros vestígios do Iluminismo, trazendo uma Idade das Trevas, que, aliás, já estava prevista no seu sinistro fácies de figura miserável, criada nos meandros de tortura e humilhação da Casa Pia, dos abandonados pelo pai.

As Escolas, por inerência, e por isso ela as odiava tanto, ainda são retaguardas de pessoas que defendem valores inalienáveis, os tais medalhados da sombra, cujos atos nunca verão a luz, mas que suportaram os embates dos abdómens de infinitos problemas diários. Como dizia o Poeta, há certas crenças e pensamentos que nenhum machado cortará, e isso era insuportável para essa Besta, pré-humana, chamada Lurdes Rodrigues.

Entre a Família, destroçada, perversa, ou inexistente, e a Cúpula Amoral do Estado, representada por Sócrates, Aníbais, Varas, Pintos da Costa, Júdices, Pedrosos e aberrações semelhantes, havia, e ainda há, uma fina barreira, em forma de filtro, que impediu que a barbárie estendesse a mão de Cima, para encontrar a garra perfilada, de baixo.

Como um chapéu de chuva protetor, em muitas escolas deste país, o jovem foi simultaneamente protegido do flagelo da Família e da chuva ácida dos maus exemplos do Estado e da Sociedade.
Para os canalhas, que nos governam, e para os cegos que, como coelhos, procriam, isto é insuportável.
A gravidade da coisa estendeu-se esta semana à mancha de óleo de outra insuportabilidade: a grande trituradora, posta em marcha por essa não-pessoa, Lurdes Rodrigues, e deixada em roda livre pela medíocre contadora de histórias, Isabel Alçada, começou a minar as suas últimas barreiras protetoras: suicidam-se os alunos, porque a coisa se lhes tornou insuportável, e matam-se os professores, a pretexto de convenientes "fragilidades psicológicas"(!).
A verdade é, todavia, outra: à falta do "Paraíso" Finlandês e do Pragmatismo Empresarial Americano, onde os gajos, quando se chateiam, agarram em metralhadoras e limpam o cenário, nós, Portugueses, vítimas de uma República decadente, de uma não-democracia cada vez mais explícita e de carrascos dos valores morais, como Lurdes Rodrigues, preferimos, país de poetas, morrer às escondidas, sozinhos, como animais encolhidos num canto, os suicidados de uma nova geração perdida, o clube dos poetas mortos deste miserável Portugal do início do séc. XXI, que será, no Futuro, lido como um dos períodos mais vergonhosos da nossa História.


(Quarteto de sombras, no "Arrebenta-SOL", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e em "The Braganza Mothers")

sexta-feira, 12 de março de 2010

«São Violentos, Muito Violentos»

Testemunho de um ex aluno normal da escola de Fitares, onde se suicidou o Professor Pedro Carmo:

Rui (nome fictício) saiu da escola EB 2/3 de Fitares porque já tinha sido ameaçado e assaltado. Lembra-se vagamente do professor Luís, «um muito quietinho»

Rui (nome fictício) já saiu da escola EB 2/3 de Fitares, onde leccionava o professor de música que se terá suicidado na sequência de maus-tratos dos alunos. Saiu há dois anos, quando já não aguentava mais.

«A escola tem professores, funcionários e instalações excelentes. Só que o ambiente é péssimo», desabafou ao tvi24.pt, enquanto tentava recordar o professor Luís: «Não me lembro muito bem dele, era um professor muito quietinho…»

O jovem de 17 anos conta que sofreu várias «ameaças» de outros alunos e que «só não chegaram a violência» porque a sua mãe foi falar com «eles». «Não valia a pena ir falar com a direcção [da escola]…», acrescentou.

Uma vez, recorda, «uma aluna atirou uma cadeira a uma funcionária». «Não fizeram nada», lamenta Rui. «A direcção parece que tem medo deles», completa. «Eles», segundo o ex-aluno de Fitares, são de «um bairro problemático» que se situa perto do estabelecimento de ensino.

E como são «eles» no dia-a-dia? «São violentos, muito violentos. Na atitude, na maneira de falar. Não têm respeito por ninguém», acusa.


in:

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/escola-sintra-fitares-professor-suicidio-tvi24/1146820-4071.html

São estes "meninos", estes bandidos filhos de bandidos, que mandam hoje nas escolas, de norte a sul do País. Porquê, não se sabe...
Uma mãe de um dos alunos [da escola] acabou de dizer na RTP1 que esta notícia era bullying sobre os alunos, que nem tinham conseguido fazer hoje um teste. Coitadinhos...

... e a gente acorde finalmente em Portugal!

Poemarma

Que o poema tenha rodas motores alavancas
que seja máquina espectáculo cinema.
Que diga à estátua: sai do caminho que atravancas.
Que seja um autocarro em forma de poema.

Que o poema cante no cimo das chaminés
que se levante e faça o pino em cada praça
que diga quem eu sou e quem tu és
que não seja só mais um que passa.

Que o poema esprema a gema do seu tema
e seja apenas um teorema com dois braços.
Que o poema invente um novo estratagema
para escapar a quem lhe segue os passos.

Que o poema corra salte pule
que seja pulga e faça cócegas ao burguês
que o poema se vista subversivo de ganga azul
e vá explicar numa parede alguns porquês

Que o poema se meta nos anúncios das cidades
que seja seta sinalização radar
que o poema cante em todas as idades
(que lindo!) no presente e no futuro o verbo amar.

Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal.

Que o poema seja encontro onde era despedida.
Que participe. Comunique. E destrua
para sempre a distância entre a arte e a vida.
Que salte do papel para a página da rua
.
Que seja experimentado muito mais que experimental
que tenha ideias sim mas também pernas
E até se partir uma não faz mal:
antes de muletas que de asas eternas .

Que o poema fique. E que ficando se aplique
A não criar barriga a não usar chinelos.
Que o poema seja um novo Infante Henrique
Voltado para dentro. E sem castelos.

Que o poema vista de domingo cada dia
e atire foguetes para dentro do quotidiano.
Que o poema vista a prosa de poesia
ao menos uma vez em cada ano.

Que o poema faça um poeta de cada
funcionário já farto de funcionar.
Ah que de novo acorde no lusíada
a saudade do novo o desejo de achar.

Que o poema diga o que é preciso
que chegue disfarçado ao pé de ti
e aponte a terra que tu pisas e eu piso.
E que o poema diga: o longe é aqui.


Poema de Manuel Alegre

Operação Branqueamento

E começou o processo de branqueamento de mais este crime... Além do ataque ao blog do Ramiro Marques, pelos blogues e caixas de comentários de jornais, os serventuários deste Poder, avençados, espalham a obscenidade de que o professor não se matou por causa da tortura a que era sujeito:

A nota de humor negro é dada por uma "aluna" na caixa de comentários:

Eu estando a par de tudo o que se passou hoje na minha escola. . . Sei que isto é uma injustiça quanto a turma do 9º B Pois como o docente escreveu no seu computador pessoal “Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio”. O docente nao referio nem afirmou a turma em questão. Por isso como aluna da escola sei que nao deviam acusar uma turma sem provas porque sem factos nao á argumentos. Mesmo assim nao era possivel ter sido a turma em questão (9ºB) culpada pelo suicidio do docente pois a turma ficou muito constragida e mal pela morte, como também sabemos que a turma só soube da morte do professor de musica Luis Carmo depois. Portanto acho que devem um pedido de desculpa a turma e a escola. Se faz favor peço que nao voltei a perturbar o funcinamento da nossa escola. Agora que todos ficaram muito desiludidos com o Jornal Publico pelo acusamento da turma. Espero que este caso seja arquivado pois o docente ja morreu a mais de 1 mes, acho que nao deviam falar mais sobre este assunto. Pois perturba todos os alunos, professores e auxiliares da nossa ...

Joy to The World, The Teacher is Dead!


«Na manhã de 9 de Fevereiro, L. V. C. parou o carro no tabuleiro da Ponte 25 de Abril, no sentido Lisboa-Almada. Saiu do Ford Fiesta e saltou para o rio. Há vários meses que o professor de música da Escola Básica 2+3 de Fitares (Sintra), planearia a sua morte. Em Novembro escreveu uma nota no computador de casa a justificar o motivo: "Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimentos, a única solução apaziguadora será o suicídio".


L. V. C., sociólogo de formação, tinha 51 anos, vivia com os pais em Oeiras, era professor de música contratado e foi colocado este ano lectivo na Escola Básica 2+3 de Fitares, em Sintra. Logo nos primeiros dias terão começado os problemas com um grupo de alunos do 9º ano. A indisciplina na sala de aula foi crescendo todos os dias, chegando ao ponto de não conseguir ser ouvido. Dentro da sala, e ao longo de meses, os alunos chamaram-lhe careca, tiraram-lhe o comando da aparelhagem das mãos, subindo e descendo o volume de som, desligaram a ficha do retroprojector, viraram as imagens projectadas de cabeça para baixo.
Houve vezes em que L. V. C. expulsou os alunos da sala, vezes em que fez participações disciplinares. Foram pelo menos sete as queixas escritas que terá feito à direcção da escola, alertando para o comportamento de um aluno em particular. Colegas e familiares do professor de música asseguram que a direcção não instaurou nenhum processo disciplinar.
O i teve acesso a uma das participações feitas pelo professor de música. No dia 15 de Outubro de 2009, L. V. C. dirigiu à direcção da escola uma "participação de ocorrência disciplinar", informando que marcou falta disciplinar a um aluno e propondo que fossem aplicadas "medidas sancionatórias". Invocou vários motivos, entre os quais "afirmações provocatórias", insultos ou resistência do aluno em abandonar a sala.


O professor de música desabafou que não suportava mais dar aulas àquela turma do 9º ano: "Nos últimos meses, já se acanhava perante os seus alunos como se tivesse culpa", explicou ao i um familiar. Atravessar o corredor da escola foi um dos seus pesadelos, é aí que os alunos se concentram quando chove: "Um dia, chamaram-lhe cão." Nos outros dias, deram-lhe "calduços" na nuca à medida que caminhava até à sua sala de aula.


Alguns professores testemunharam a "humilhação" de L. V. C. nos corredores da escola e sabiam que se sentia angustiado por "não ser respeitado pelos alunos". Só não desconfiavam que a angústia se tivesse transformado em desespero. O professor de música não falava com ninguém. Chegava às sete da manhã para preparar a aula. Montava o equipamento de som, carregava os instrumentos musicais da arrecadação até à sala. Deixava tudo pronto e depois entrava no carro: "Ficava ali dentro, de braços cruzados, e só saia para dar a aula." L. V. C. preferia estar no carro em vez de enfrentar uma sala de convívio cheia de colegas: "Era mais frágil do que nós, dava para perceber que não tinha o mesmo estofo."
»

Fonte: iOnline

Repesco aqui comentários de alunos a um vídeo de alunos que incendiaram o carro a um professor:



- Ganda eskola tive la xD fdx era com cada cena xD

- A nOs e brabu..nao xoooaaa! MARKES nha School

- boa caralho :Pdeviam ter arrebentado todos :D
puro vandalismo bora caralho !

- Fdx, mais um video da treta!Tivesse eu um tlm com camera quando andei nessa escola e vcs iam ver cenas engraçadas:Expulsar a stora de matemática da aula;Riscar o quadro todo com insultos ao Stor de Técnologias;Ou entrar na sala de aula com uma ratazana presa por uma coleira!Isso sim, são imagens memoráveis mas que infelizmente não tenho forma de mostrar!Esforcem-se um pouco e mostrem que têm capacidade para fazerem melhor do que têm feito até agora

O autor deste comentário deve estar feliz. Os alunos do 9ºB esforçaram-se! E conseguiram que o gimbras se matasse! Alta curte, man! Bué da fixe! Agora a malta vai ter uns dias sem Música e depois vamos ver se conseguimos que o próximo setôr se mate! Iô! Bacano!

Os especialistas e os políticos, esses, continuam a afirmar que não há medo nem violência nas escolas!

Aliás, este professor que se matou, já está ser difamado. Não eram os alunos que o torturavam diariamente... Era ele que "não tinha estofo", que "não sabia impor respeito"!

Entendem agora porque é que 99% dos professores levam e calam?

Joy to the world, the teacher is dead

We barbequed her head

What happened to her body

We flushed it down the potty

And round and round it goes

And round and round it goes

A Guerra Ainda Só Começou...

Há muito que aviso que os gangues são uma realidade em expansão acelerada no nosso País. Há muito que aviso que deixá-los impunes dentro das escolas é prepará-los para a cadeia ou para o cemitério, pois fora da escola as pessoas não se matam quando estão fartas de os aguentar. Fora da escola as pessoas reagem. Fora das escola as pessoas defendem-se, pois não têm que levar pancada e calar, por determinação superior.

Quantos ladrões se teriam salvo se tivessem sido castigados na devida altura, porque "ladrão que rouba um ladrão, rouba um milhão"?

Quantos criminosos não se teriam salvo se tivessem sido castigados na devida altura, porque um gangster de 12 anos será um gangster de 19 anos?

Jovem de 19 anos morre por linchamento

«Tiago Puga, um rapaz de 19 anos, morreu ontem no Hospital de Braga após ter sido violentamente agredido por um grupo de homens na freguesia de Meadela, Viana do Castelo.
O rapaz não resistiu às agressões e acabou por morrer depois de quatro dias nos cuidados intensivos do hospital.

Tiago e um colega foram alegadamente atacados em público por um grupo de homens, como retaliação por actos de vandalismo do grupo a que pertenciam.
Segundo relatos, os dois rapazes terão sido agredidos por “quatro ou cinco homens” com pontapés repetidos na cabeça, enquanto Tiago os ameaçava de morte. Um vizinho conta o episódio que levou à morte de Tiago: ”Eles [o grupo de rapazes] andavam por aí a atear fogueiras à porta das lojas e das casas. Parece que um dos familiares ali de um talho não aguentou e foi para cima deles, as pessoas viram e foram atrás”.
A morte do rapaz deixou a freguesia de Meadela em estado de guerra. Ao Diário de Notícias, um amigo de Tiago disse que “isto não vai ficar assim”. Na quarta-feira, dezenas de jovens vaguearam pelas imediações do lugar da Bessa, local dos acontecimentos, revoltados com a morte do rapaz.»



in Jornal I


Eis o resultado da "cultura gangsta"...

Até na morte somos difamados

A notícia é de hoje e está no Público online. Leiam o meu relato do ano anterior, de uma semana de indisciplina, que descrevi em traços largos. Entenderão agora melhor o desespero a que se pode chegar actualmente nesta profissão.

Se nos queixamos, somos considerados maus professores. Se nos matamos, somos considerados doidos:

DREL sublinha necessidade de acompanhamento psicológico dos alunos – O responsável pela DREL confirmou hoje que o docente que se suicidou tinha «alguns problemas psicológicos», e alertou para a necessidade de impedir que os alunos fiquem traumatizados. (In TSF).

Até na morte somos difamados!

Aqui vai o artigo do Público, na íntegra:



Luís não avisou ninguém do acto radical. Mas radicalizou, segundo a família e os colegas, os apelos junto da direcção da escola para que resolvesse a indisciplina, em particular naquela turma. Fez várias participações que não terão tido seguimento. O PÚBLICO tentou ouvir a directora da escola, que justificou que só presta declarações mediante autorização da Direcção Regional de Educação de Lisboa. Fizemos o pedido e não recebemos resposta. Contudo, foi possível apurar que a Inspecção-Geral da Educação tem participações do alegado incumprimento da legislação sobre questões disciplinares por parte da direcção daquela escola.

Personalidade frágil
Na escola, impera o silêncio e os funcionários fazem um leve encolher de ombros. Alguns, sob anonimato, asseguram, tal como a família, que Luís era alvo de bullying e estava "profundamente desesperado e deprimido". A irmã de Luís, também professora, admite que o irmão era "uma pessoa complicada, frágil e reservada", mas assevera que era "um professor competente", cujos apelos "a escola ignorou". "Apenas lhe propuseram assistir a aulas de colegas para aprender a lidar com as provocações", diz.

A irmã descreve a profunda tristeza do professor nos últimos meses, ao longo dos quais "desabafou muito" com os pais, com quem ainda vivia. Nunca deu indícios do acto. Foram encontrados, depois da morte, no seu computador. "Se o meu destino é sofrer dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim - e não tendo eu outras fontes de rendimento -, a única solução apaziguadora será o suicídio." A frase encontrada não deixa dúvidas. Há vários desabafos escritos em alturas diferentes que convivem lado a lado com as participações sobre alguns alunos.

Luís somava à Música uma licenciatura em Sociologia e chegou a ser jornalista durante alguns anos. Era também cronista no Boletim Actual da Câmara de Oeiras, onde, no ano passado, dedicou algumas palavras aos problemas das escolas: "O clima de indisciplina nas escolas está a tornar-se insustentável. E ainda há quem culpe os professores, por falta de autoridade. Essas pessoas não fazem a mínima ideia do ambiente que se vive numa escola. Aconselho-as a verem o filme A Turma". No último boletim, o autarca Isaltino Morais dedicou-lhe um texto onde recorda a "perspicácia e apurado sentido crítico" de Luís.

Os alunos dividem-se sobre o professor, mas concordam que "era muito calado" e que "não convivia muito nem com alunos nem com professores". Uns recordam com saudade as aulas onde puderam tocar instrumentos e ver filmes relacionados com música e dança. Outros insistem que "ele era estranho" e que "não impunha respeito". Mas não negam que eram "mal comportados". "Portava-me sempre mal, mas não era por ser ele. Somos assim em todas as aulas, é da idade", reconheceu um dos alunos que tiveram mais participações por indisciplina.

Outra aluna, a única que, no fim das aulas, ficava para trás para conhecer melhor o silêncio de Luís, lamenta a partida "prematura" e arrepende-se de não ter ficado mais tempo a conversar com ele. "Tive medo do que as pessoas podiam dizer se me aproximasse. Sinto-me muito mal por não ter ajudado mais. Uma vez arrancámos-lhe um sorriso. Quando sorria era outra pessoa."
»

Todos nós, professores, adorávamos poder sorrir todos os dias. Foi para isso que escolhemos esta profissão. Para nos dedicarmos com alegria aos alunos, que são a nossa felicidade!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Cadeiradas Desanimadoras...



Deu que falar, hoje, esta notícia:

Aluno de 12 anos atacou o docente, que ontem foi de muletas à Escola D. Pedro II, que já abriu um inquérito
Um rapaz de 12 anos agrediu violentamente um professor, na sala de aula e em frente aos colegas, atirando-lhe com uma mochila na cara e batendo-lhe com uma cadeira nas pernas. O caso aconteceu segunda-feira numa turma do 6.º ano da Escola D. Pedro II, na Moita. O professor sentiu-se mal, correu para a casa de banho a vomitar e teve de ser assistido no Hospital do Barreiro. A escola já abriu um processo disciplinar ao aluno, que ontem foi à escola. O professor também surgiu na escola de muletas, mas não deu aulas.
(...)

Foi uma agressão que chegou ao conhecimento público. A revista Visão citava, num número de há meses, que eram 5 por dia os professores agredidos com esta gravidade.
Vale a pena ler a notícia toda, pois o famoso Estatuto do Aluno prevê que "sejam ouvidas as partes", e outros rigores processuais... Como escreveu hoje Paulo Guinote, "Quase Tudo Se Resolverá Com Um Sermão No Gabinete Do Director"...

Comenta o bloguista:

«Com jeitinho a culpa será do professor, que não assegurou o sucesso ao aluno. E fico por aqui, porque é a escola onde fiz o meu ciclo preparatório (em anteriores instalações) e até conheço lá muita gente, demasiada gente, assim como sei mais do que gostaria sobre a cultura que faz o húmus deste tipo de comportamentos».

Ramiro Marques comenta neste post a iniciativa de uma associação de Pais que pretende animadores nos recreios para desencorajarem o bullying. Transcrevemos esta parte:

«Não é colocando rapazolas a fazer umas piruetas nos recreios que se impede os alunos violentos de humilharem e torturarem os alunos mais novos. A solução passa por outras medidas:

Acabar com o branqueamento do bullying e da violência.

Castigar os bullies e os seus encobridores.

Dar poder aos directores para suspenderem sumariamente os alunos violentos.

Criar escolas de segunda linha para acolherem alunos violentos.»

Sem sarcamos, apelo: poupem os animadores, que não têm ainda o calo dos funcionários e dos professores a apanhar cadeiradas...

(Esta associação de Pais é francamente simpática, pelo que me custa ir contra uma ideia bem intencionada, mas de erros e acertos alguma coisa de bom virá, espero.)

Alegria e Tristeza

Sensata reportagem sobre o triste caso do Leandro, menino de Mirandela que se atirou ao rio, por estar farto de apanhar dos colegas. No Público online. Sensatos comentários dos leitores, pelo menos os que li.

Hoje de tarde, após as aulas, muitos foram os alunos que ficaram na escola onde trabalho, para aproveitarem o bom tempo que voltou, para conviverem, namorarem, jogarem, brincarem. Da minha sala de trabalho, observava-os. À alegria de ver a miudagem feliz e em paz, juntou-se a tristeza pela morte deste menino.

Os mais novos esperam de nós, os adultos, que façamos com que as nossas escolas deixem de ser campos de batalha. Somos crescidos. Devemos-lhes isso.

terça-feira, 9 de março de 2010

Comunicado da FERLAP

A FERLAP teve a amabilidade de me contactar, e enviar o comunicado que transcrevo abaixo. Apaguei um comentário de um leitor do Público que transcrevi no post anterior, e que, segundo a FERLAP, confundia esta com outra associação. As minhas desculpas!

Reconheço que esta iniciativa é uma tentativa de combater o problema da violência nas escolas. E a FERLAP tem o mérito de empenhar e fazer o seu melhor. Respeito inteiramente esse esforço sincero. Reservo-me o direito de ter uma opinião diferente. Recreios monitorizados é uma ideia que não me agrada. O convívio, a brincadeira, os espaços de liberdade, fazem parte da formação do carácter e do crescimento integral do ser humano. Esta iniciativa, cheia das melhores intenções, acaba por robotizar ainda mais as crianças. Repito que basta que haja autoridade nas escolas para que acabe o actual clima de violência. Problemas sempre haverá, como em tudo. Mas actualmente passa-se das marcas!

No caso dos adolescentes, esta ideia dos recreios monitorizados, dificilmente funcionará. Como habitualmente, aderem, por delicadeza, os garotos bem educados. Os outros, aqueles a quem esta iniciativa se dirige, como sempre, vai passar-lhes ao lado.
É esse o nosso dilema enquanto professores: fazemos reuniões para promover o sucesso escolar, o bom ambiente, tudo e mais alguma coisa. Nunca comparecem os pais dos alunos que causam problemas, nunca aderem os alunos que causam problemas. Comparecem e aderem os alunos bem educados, e os pais responsáveis. Como estes, que, honra lhes seja, querem agir para o bem de todos:


«COMUNICADO À IMPRENSA


Violência nos Recreios!


Somos um povo reagente… um povo que reage, em vez de agir.

Neste caso muito concreto, agir significa prevenir, reagir significa remediar…

Nas nossas Escolas os grupos violentos agem sobre os outros, o sistema reage e tenta (algumas vezes consegue, outras nem por isso) reparar os danos causados pela acção desses grupos.

Ora o que se pretende é que o sistema aja e não apenas que reaja. Agir implica prevenir, ora para prevenir é necessário que haja um investimento na Educação. Esse investimento vai servir entre outras, para que não existam alunos sozinhos nos recreios, os alunos sozinhos são um alvo para os grupos violentos, não havendo alunos isolados os grupos violentos têm tendência a deixar de o ser, não há alvos, qual a necessidade de existirem?

Como o fazer? A ideia da FERLAP passa por um algo a que resolvemos chamar “Animação de Recreios, proposta para uma solução.”

O que entendemos por animação de Recreios?

Animação de recreios será a presença de um Animador (habilitado para isso), ou mais, dependendo da dimensão das Escolas, que estará permanentemente nos Recreios, salas polivalentes e todos os locais onde possa haver alunos isolados.

Este terá por função criar um Recreio agradável, um local que os alunos gostem de frequentar, passando por criar jogos e diversões interagindo com os alunos, fomentando uma ligação que o leve a ser aceite no Recreio como mais um membro deste e não como um “policia”.

Esta presença, aceite, vai permitir entre outras: uma rápida acção sobre qualquer pequeno incidente, impedindo que este se transforme num acto de violência, a identificação de alunos com necessidade de acompanhamento especial, a identificação de alunos problemáticos, dinamizar actividades do interesse dos alunos, criar brincadeiras, etc., enfim vai contribuir para que o recreio seja um local agradável.

Temos perfeita consciência que se a Escola for um local agradável, será muito menos provável que a violência aconteça.

A Escola tem que ser um local agradável, tem que ser um local em que se promova a integração do indivíduo na sociedade adulta, preparando-o para que seja um adulto sociável, mesmo quando o seu presente e passado, foi tudo, menos social, ora porque cresceu em locais problemáticos, ora porque provem de uma família problemática, disfuncional ou afim.

A Escola tem que ser um local em que as crianças e jovens consigam ter a qualidade de vida que não conseguem ter quando não estão na Escola.

Uma Escola agradável vai permitir que os nossos filhos, os homens e mulheres de amanhã pertençam a uma sociedade muito mais justa equilibrada e pacífica.

O que lhe ensinarmos hoje, terá consequências amanhã, boas ou más, só depende nós.

Mais uma vez passou a hora de Agir, por isso vamos ter que reagir, mas reagir, AGINDO.


Isidoro Roque

Presidente CE

Actualizado em Terça, 09 Março 2010 19:52»


Para bem
de todos, desejo estar errado e que esta iniciativa possa ter bons frutos.
Esta iniciativa pretende, como é referido no texto, em última análise, proteger os alunos ordeiros dos grupos de bullies:

«Esse investimento vai servir entre outras, para que não existam alunos sozinhos nos recreios, os alunos sozinhos são um alvo para os grupos violentos, não havendo alunos isolados os grupos violentos têm tendência a deixar de o ser, não há alvos, qual a necessidade de existirem?»

(...)

«Este (o "animador") terá por função criar um Recreio agradável, um local que os alunos gostem de frequentar, passando por criar jogos e diversões interagindo com os alunos, fomentando uma ligação que o leve a ser aceite no Recreio como mais um membro deste e não como um “policia”.»

Pergunto eu:

Como pode esse animador fazer-se respeitar pelos grupos de bullies? No 1º Ciclo poderá. A partir daí, será mais um bombo da festa. Esse animador não tem poder, como os funcionários não têm poder. Como os professores não têm poder. Como pode ele sanar os conflitos na raiz, como é referido no texto? Os alunos violentos, os bandos que proliferam impunes nas nossas escolas, é que têm que acabar. Como? Cumprindo as mesmas leis e normas de conduta que os restantes cidadãos cumprem. Não são capazes de viver em Sociedade? Há que proteger a Sociedade desses elementos. As prisões e os reformatórios existem para isso mesmo.

Os cidadãos cumpridores e honestos têm o direito de andar livremente na rua. Os jovens educados e sociáveis têm o direito de brincar livremente nos recreios das escolas. A Sociedade não pode ficar cada vez mais refém dos bandos de marginais!

O Fim da Picada!


Pergunta-se o Público:

"Leandro terá sido agredido por um aluno mais velho, de "17/18 anos", que frequenta as turmas de Educação e Formação na mesma escola. E alguns colegas dizem que, enquanto jogavam à bola, o viram a chorar e a sair do recinto da escola, dizendo que "ia atirar-se ao rio" - diz o Público.

Por outro lado, "a mãe diz que ele era um menino alegre"...

Ó diaaaaabo... parece que era uma criança alegre, e que se defendia dos matulões. Há quem diga que então, se calhar, o jovem Leandro, de 12 anos, está escondido algures, por traquinice... Há até quem se questione se houve ou não o tal bullying...
Isto quem se atreve a ser alegre e a defender-se de rapazes de 18 anos, já se sabe... é capaz de tudo!

Perdoem-me ironizar com caso tão triste. É uma ironia bem amarga!...

Comenta um leitor:

Luis , Braga. 09.03.2010 20:11
Insistem em esconder a verdade...
Insistem em mentir aos portugueses...

Parece que não querem a verdade mesmo quando ela, a verdade salta à vista e as provas são irrefutáveis....A escola pública está uma lástima, um caos...Este suicídio, " Os colegas garantem que ouviram o Leandro dizer que estava farto de ser mal tratado e que ia atirar-se ao rio" e por isso foram atrás dele para o impedir...
É sem dúvida um suicídio motivado por maus tratos, os pais em geral confirmaram que há maus tratos na escola...Coisa que é verificável na generalidade das escolas e resulta da desgovernação, do aniquilamento da autoridade dos professores, de incumprimentos e indisciplina generalizado, do facilitismo, os professores são obrigados a passar todos os alunos mesmo que não aprendam nada...Os professores não tem condições de trabalho aceitáveis, alguns tem mais de nove turmas e cada turma pode passar de trinta alunos...Turmas em que alunos com deficiência ou dificuldades de aprendizagem estão misturados com os outros....Um caos....Que querem manter secreto dos cidadãos, mesmo quando tal mentira parece impossível... A escola precisa de uma política de verdade antes que aconteçam mais Leandros...


Nota: os agressores do jovem Leandro eram dos cantados e célebres cursos CEF.

Os CEF agregam de maneira económica e estatisticamente rentável:

- os matulões;

- os que desejavam estar a trabalhar e odeiam a escola mas são obrigados a andar lá;

- os que adoravam estar no ensino técnico a sério e estão ali mergulhados na confusão;

- os que andam nos CEFes para os pais receberem rendimento mínimo, casa da Câmara e outros etc.s;

- os jovens delinquentes que deviam estar em reformatórios mas estão no poético "ensino integrado"...

Jovens Soldados - 2

Ainda a propósito da notícia do Público, não pomos em causa as boas intenções da referida associação de pais. Mas achamos que esta medida, ainda que bem intencionada, não vai adiantar nada.


Há escolas, em países do Norte da Europa, que simplesmente não têm funcionários.
Porque será? Porque há REGRAS, e se as regras são boas, e se são cumpridas, não é necessário haver "pastores" de crianças ou adolescentes.
Quando as regras acabaram, como nas escolas portuguesas, estes paliativos não adiantam.

Fiquem com mais dois testemunhos de leitores da referida notícia:

«Isto nem...

Isto nem com um policia em cada esquina resolvia!!! Fala-se do Bullying como se fosse uma coisa nova. O fenómeno já é antigo. Tenho 42 anos e no meu tempo já havia. No meu caso era um dos que não deixava que me pusessem a mão em cima. Nem admitia que os agredissem os mais fracos. Como eu haviam alguns, poucos, que fazíamos de policias na escola e fora dela, quando íamos para casa. Só que hoje é o cada um por si e o salve-se quem puder. Os valores morais eram outros.

Lembro-me dos meus primeiros dias de escola e de um dia vir a chorar para casa porque um colega me bateu. O meu Pai disse-me assim. Aprende a defenderes-te, pois a próxima vez que venhas a chorar para casa apanhas uns estalos. Como apanhar era coisa que não gostava passei a defender-me. E enganem-se se pensam que era grande ou forte, antes pelo contrario, era o minorca da turma, mas não aceitava que me batessem ou que batessem nos miúdos mais fracos. Mas hoje em dia ninguém defende ninguém. Se por acaso um Pai chama a atenção de um matulão qualquer por estar a incomodar os mais pequenos, somos enxovalhados por estes pequenos delinquentes e se for preciso o Policia à porta da escola ainda vem tirar satisfações. É claro ... »



E este, não menos lapidar:

«§(º!º)§

Tudo tem um lado positivo e um negativo, até as coisas mais terríveis. Quando retiraram poderes de disciplina aos professores, a ponto de, por mais inconveniente que fosse a criança, quase não poder haver castigo para ela; quando não se podia reprovar uma criança, por pior aluno que fosse, por mais que faltasse às aulas, estavam à espera de quê?


Desde que eles nascem, vivem numa constante procura de espaço para se afirmarem e, se não se impuserem limites, além de eles acharem que ninguém se interessa por eles, as coisas dão normalmente para o torto. O que é que um animador pode fazer com jovens de 18 anos a lutar? Entrar no meio e sair com um olho roxo? Viver de baixa médica nas escolas de bairros problemáticos (e não só)? Acordaram tarde para o assunto. Os papás terão de fazer um exame de consciência também.

Castigo disciplinares, fazem muito bem. Expulsões também, porque se não for a escola a fazê-lo, será a sociedade, mais tarde (cadeia depois de adultos), "fechar-se a torneira" às famílias que dependem de subsídios, quero ver se esses pais não começam a ensinar bons modos aos filhos. Enquanto o diabo esfrega um olho, os meninos mudarão como da água para o vinho!»

Este leitor põe o dedo na ferida...

Para que não me acusem de censurar sem apresentar soluções:

A curto prazo é preciso tolerância zero para todas as formas de violência. Não são "animadores" que fazem falta nas escolas. Nem"mais funcionários para combaterem a violência". Os alunos já não respeitam nenhum funcionário!

No estado actual das escolas faz falta Polícia dentro das escolas.

Não em todas as escolas, mas em muitas delas, sobretudo as que recebem alunos eufemisticamente chamados "problemáticos". Aí fazem falta polícias no activo e dos de intervenção. Em escolas mais pequenas e de alunos normais, algum acompanhamento policial e tolerância zero para a violência.

A médio prazo, há que contrariar a tendência para macro-escolas, que está a vigorar, na tendência socialista para a massificação de tudo. Escolas mais pequenas, ambiente familiar. A escola deve ser uma casa.

Fim das misturas de crianças com jovens adultos, como os dos famigerados cursos CEF. É uma mistura explosiva.

A longo prazo:

Uma Escola com regras, com bom senso, e com autoridade aliada ao amor, não precisa de mais nada. Não vai resolver os problemas do mundo, mas vai merecer ser chamada Escola, e não depósito de crianças.

Não sabem fazer? Copiem! Pode ser... da Finlândia!

Mas para isso é necessário que não sejam políticos nem "sociólogos da educação" a mandar no Ensino. Devem ser pessoas que saibam pelo menos do que estão a tratar...

Jovens Soldados - 1





É uma notícia do jornal Público.

Estas coisas, lidas assim, até parecem boa ideia, para quem não está dentro do assunto. Para quem conhece os jovens de hoje, e para quem ainda se lembra de ter sido jovem, esta medida é exequível em escolas do 1º ciclo, eventualmente do 2º ciclo, mas nunca numa escola "hard-core", do tipo da Marquês de Pombal, aqui recentemente abordada.

Os miúdos já estão "monitorizados" desde os 3 meses de idade, quando começaram a ser armazenados. Do infantário passaram para o Jardim de Infância ou para a "pré-primária". Chegaram ao 1º ciclo (antiga 1ª classe) já fartos da escola até à ponta dos cabelos, pequenos soldados a marchar desde o berço, arrancados da caminha às 6 da manhã, sair às 6 da tarde, banho e cama.

Nunca puderam brincar, e nem sabem brincar, pois fizeram "actividades lúdicas", devidamente supervisionadas, e/ou estiveram anos à frente do computador ou da Televisão.

Nos recreios saltam para cima uns dos outros, gritam, compensam o que não puderam ter na idade própria.

"Animadores" nos recreios?

Para quê? Para servirem de chacota? Esta associação de pais está a fazer o que acha melhor, e a mais não é obrigada. Mas não vai funcionar, sem a pedra base que é a autoridade dos adultos, que já não existe nas escolas. Nem fora delas...
Sem que seja reestabelecida a autoridade, sem que as leis gerais da sociedade sejam para cumprir também dentro das escolas, as melhores ideias nunca resultarão.

Uma leitora do Público comenta assim:

Muitas crianças não estão bem

Não há tempo para a família, muitas crianças são "despejadas" nas escolas às 7 da manhã e lá ficam ou nos ATLs até à noite ou sozinhas pelas ruas.

Pouco apoio e vida têm em casa, onde já chegam tarde e a más horas, exaustas fisica e mentalmente, muitas delas com os pais também exaustos e sem paciência de trabalharem todo o dia por vezes em mais do que um emprego.

Depois é fazer os trabalhos quando já deviam estar a descansar, engolir qualquer coisa e ir para a cama, para acordar cedo e ser despejado na escola outra vez para novo ciclo. E se há pais que apesar disto são bons, outros ainda as maltratam, vivendo elas em terror e falta de apoio e compreensão.

Como pode deixar de haver violência neste estado de coisas? O ser humano reage agressivamente, inconscientemente, quando é exercida violência (mesmo que psicológica) sobre ele. E não é com mais pancada e violência que se resolve. Isso aumenta a violência em espiral.

Quem se interessa por resolver isto só pode desejar que se faça todos os possíveis para humanizar mais a sociedade (e são muitas as coisas que precisam mudar) e assim criar crianças mais serenas e felizes. Essas não serão violentas.


Outro leitor escreve assim:


Animadores ou Funcionários?

Algo me escapou... Sinceramente não percebi a ideia de contratarem animadores para os intervalos dos alunos! Actualmente as escolas dispõem de vigilantes ou funcionários que têm como função assegurar a ordem na escola. Se estes vigilantes não a conseguem assegurar, esperam que animadores o consigam?!

Escapa-me como é que pessoas mascaradas de astronautas tencionam acalmar e garantir a ordem nas escolas! Se esta medida seguir em frente, significa que a educação em Portugal e que o ministério da Educação estão cada vez mais loucos...

A educação e a segurança na escola só pode ocorrer com mais autoridade dos professores e funcionários e, acima de tudo, mais educação, cidadania e civismo por parte dos alunos. O problema é que estes valores devem ser passados em casa pelos pais, algo que infelizmente muitas vezes não acontece.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Há aí Coleccionadores?



«Sala incendiada deixa alunos sem aulas

Duas turmas do 2º e do 3º ano da Escola Alberto Iria em Olhão não tiveram aulas por falta de sala. Os espaços de ensino que estavam provisoriamente instalados em contentores foram vandalizados, um, e queimados, outro.


A mãe de um dos alunos acusa crianças de outra escola por estes actos de vandalismo e pela «destruição dos trabalhos de um ano lectivo».
A direcção executiva da escola não quis falar e o caso já está entregue à Polícia Judiciária.
As aulas vão ser retomadas amanhã noutro espaço da escola para os cerca de 50 alunos destas duas turmas da Escola Alberto Iria, em Olhão.
»

Há aí coleccionadores que vão recolhendo o que tem passado para a Imprensa do descalabro de violência, caos e indisciplina, nos últimos 4/ 5 anos?

Como há quem possa pensar que os professores, destituídos de qualquer autoridade, possam "sensibilizar" massas de alunos a quem nem pais, nem Polícia, nem Tribunais nem ninguém, conseguem meter na ordem?

São os alunos que são maus? Ou é a escola hoje um mundo sem lei?

Uma aula "normal"...





São estes alunos que a anterior Ministra se gabava de "ter ido buscar a casa".
Ser professor numa escola destas é simplesmente o terror quotidiano. Só quem esteja totalmente desinformado acha que é possível ao melhor dos professores manter qualquer tipo de autoridade com alunos destes.

CEFes - A Grande Mentira das Estatísticas!







Escola Marquês de Pombal em Lisboa. A mesma dos vídeos em que o aluno Alex Luz era aterrorizado com ameaças em crioulo de ser sodomizado e espancado à paulada, empurrado, humilhado de toda a forma e feitio por três valentes que retiraram o vídeo ontem à noite...


Ver dois posts antes deste.

Comentários youtube:


Ganda eskola tive la xD fdx era com cada cena xD


A nOs e brabu..nao xoooaaa! MARKES nha School

boa caralho :Pdeviam ter arrebentado todos :D
puro vandalismo bora caralho !

Fdx, mais um video da treta!Tivesse eu um tlm com camera quando andei nessa escola e vcs iam ver cenas engraçadas:Expulsar a stora de matemática da aula;Riscar o quadro todo com insultos ao Stor de Técnologias;Ou entrar na sala de aula com uma ratazana presa por uma coleira!Isso sim, são imagens memoráveis mas que infelizmente não tenho forma de mostrar!Esforcem-se um pouco e mostrem que têm capacidade para fazerem melhor do que têm feito até agora

Minuto de Silêncio Pelo Leandro



Hoje farei o minuto de silêncio, esperando que se lhe siga muito barulho.

Para que acabe a impiedosa lei do medo e do silêncio nas escolas, onde denunciar a violência é ficar exposto a represálias. Dos alunos violentos, das famílias dos alunos violentos e daquelas a quem interessa esconder a violência.

domingo, 7 de março de 2010

"Bullying"? Que eufemismo é esse?

«Mais uma aventura do ObviousTroll do Alex Luz. Carecups e moralfags façam log out pff. » - ADVERTE-SE NOS VÍDEOS!

«Só sabem é gozar com mais fracos! Porque é que não gozam com os vossos amigos?» - grita em desespero mais um candidato ao suicídio, uma pobre criança que aparenta fragilidades várias.

Está aqui este blogue, escrito com quase um ano de avanço, para mostrar a quem não quer ver que o problema existe! E é sério!


"Obvious Troll" - dizem os obvious cowards, obvious posers!


Bullying? Que m**** de eufemismo! Isto é TORTURA!

Nota: infelizmente alguém avisou os bandidos e os vídeos foram retirados, cerca de uma hora após este post. Suponho que foi o "inteligente" que escreveu num dos vídeos que eles se iam "ter que haver com a PJ"!

Resta agora haver alguém que saiba quem é o aluno Alex Luz, e que não tenha medo de denunciar... Os agressores eram três, um filmava, outros dois, um preto e um branco, bem maiores, arriavam-lhe a ameaçavam que lhe iam "gungular o cu".

quarta-feira, 3 de março de 2010

Violência leva aluno ao suicídio (mais um)!

03 Março 2010 - 00h30
Mirandela


“Não apanho mais, vou-me atirar ao rio”

Leandro tinha 12 anos e foi agredido na escola. Família foi hospitalizada em estado de choque.


Alguns comentários do leitores do Correio da Manhã

«03 Março 2010 – 08h32 António Silva

Professores e direcção da escola são os responsáveis. Pagamos ordenados altíssimos para tomarem conta dos nossos filhos.»

03 Março 2010 - 13h26 Gineto

Estes corpos docentes preocupam-se é com a progressão de carreira, o restante ... não lhes diz respeito.

03 Março 2010 - 13h00 Pedro

Trasbalho numa zona de escolas. Agressões são feitas todos os dias, ninguem faz algo. Depois veem noticias dessas!


- A anterior Ministra gabava-se de ter ido "buscar a casa" os garotos que foram integrar os CEF e que são os da primeira linha do terror que se passou a viver nas escolas. A reportagem "A Violência Vai à Escola" mostrava imagens captadas com câmaras escondidas em que se via o caos total nas salas de aula e fora delas. O vale-tudo!

- Em nome de tresloucadas teorias de "ensino integrado", acabou-se com as escolas técnicas, e, por motivos meramente economicistas, as escolas passaram a ser armazéns, em que se misturam meninos de 9 anos com homens de 19; crianças ordeiras e educadas com jovens marginais dos bairros "problemáticos"; alunos que querem aprender com alunos que vão à escola para "curtir".

- As gestões das escolas, que dantes eram eleitas e agora são nomeadas, como sabe quem está dentro do assunto, passaram a ter como regra trabalhar para as estatísticas. Há que esconder a violência, pois das boas estatísticas depende o estar nas boas graças do Poder!

- A resposta cínica do putativo representante dos pais e encarregados de educação é precisamente que "não havia registos"!

- Este caso não é o primeiro. Houve já suicídios. Houve já tiros e facadas, que são sempre branqueados como "tonterias da juventude". Houve pistolas apontadas a professores. Uma delas passou na tv. "Era de plástico, era a brincar". Os jovens marginais, alguns com currículo vasto nas áreas do assassínio, tortura, roubo, violação, tráfico de drogas, depressa entenderam que tinham campo livre.

- No ano lectivo trannsacto foi grande a alegria da população perante a moda de incendiar os carros aos professores. Dantes os professores eram estimados pela população. Porque deixaram de o ser? 4 anos de difamação por parte da tutela, deixam marcas...

- No ano lectivo transacto foi assassinado à catanada um aluno de um colégio público em Lisboa, numa guerra de gangues. No ano lectivo transacto uma menina foi espezinhada e obrigada a comer lama durante duas horas, numa escola da Margem Sul. Ninguém se meteu. Pudera! Alunos dos bairros dos gangues!...

- Agora a culpa vai ser dos professores, é claro. Mas quem está nas escolas sabe bem que quem se queixa, quem denuncia casos destes, está sempre a correr diversos perigos. Corre desde logo o perigo de os gangues que aterrorizam os garotos normais passarem a ter o professor e a sua família como alvo. Corre o risco de ser visto como o eterno "chato", que "não entende" que se trata apenas de "brincadeiras dos miúdos", que é um "autoritário". Corre o risco de cair nas más graças do Director, por estar a ser "alarmista" e "miserabilista". Corre o risco de desagradar aos docentes que amam as teorias eduquesas, e ser por isso perseguido pelos colegas.

- Então, o mais bem intencionado dos professores, acaba por se calar, vencido, pois não adianta lutar contra o gigantesco monstro kafkiano que é a Escola Pública de hoje em dia.

- Os alunos dos CEFes, que o actual Governo insiste que podem ter aulas nos mesmos edifícios e nas mesmas condições que os alunos normais, educados em famílias normais e não em ninhos de miséria, crime e toxicodependência, são os mesmos que atacam impunemente nos comboios e que se riem nas barbas da Polícia. É a esta gente que os políticos estão a entregar as ruas e as escolas.

- Talvez agora os iluminados das teorias da tanga comecem a compreender o que escrevi neste blogue até aqui!