sexta-feira, 25 de junho de 2010

Para mim não é novidade...

Um estudo vem agora revelar que os Portugueses não gostam do estudo.

Trata-se de uma entrada no blog do Venerando Matos ("Vedrografias") que comenta números muito interessantes (divulgados hoje no Público) no que respeita ao "interesse" escolar dos alunos portugueses .

... parece que, afinal, não são propriamente os professores os culpados do insucesso deles!!

Mas claro, a divulgação que é dada a estes contributos para a explicação do insucesso escolar em Portugal, é escassa porque não convêm...

"São marcas que continuam a acompanhar os portugueses. Cá dentro, Portugal tem a segunda taxa mais elevada de abandono escolar precoce da União Europeia.

Lá fora, os filhos dos emigrantes portugueses continuam a desistir. No Luxemburgo, um em cada quatro alunos que abandona a escola secundária é português, dá conta um estudo do Ministério da Educação luxemburguês, ontem divulgado pela agência Lusa.

"Entre os estudantes estrangeiros que frequentam o ensino secundário naquele país, os portugueses são os que apresentam a maior taxa de abandono escolar.

No último ano lectivo, estavam inscritos nas escolas públicas 7046 portugueses. Desistiram 454, o que representou um aumento de cinco por cento em relação ao ano anterior. Os alunos portugueses representam 19,1 por cento da população estudantil do Luxemburgo. São o maior grupo entre os estrangeiros que estudam naquele país.

"A outra face da mesma moeda: dados recentes mostram que, nos EUA, Canadá, Grã-Bretanha e Suíça, os filhos dos emigrantes portugueses estão também entre os que obtêm resultados escolares mais baixos entre as comunidades estrangeiras. ( !!! )

Para Hermano Sanches Ruivo, responsável pela primeira associação de luso-descendentes criada na Europa, a Cap Magellan, a reprodução desta situação deve-se em grande parte ao facto de muitas famílias continuarem a não valorizar o papel da educação.

"Para muitos, educação é os filhos fazerem o que eles fizeram", comenta ao PÚBLICO.

"Não têm tempo para acompanhar os filhos, não gastam dinheiros em aulas suplementares para compensar atrasos. Os jovens, por seu lado, têm como preocupação começar a trabalhar o mais rapidamente possível."

"Também o organismo que coordena os serviços escolares na Suíça (CDIP) apontou, em 2007, o dedo às famílias. Os fracos resultados escolares das crianças portuguesas devem-se "ao desinteresse total dos pais em acompanhar" a educação dos filhos e à "origem sócio-cultural modesta" destes, afirmava-se num documento que suscitou a indignação dos representantes portugueses naquele país.


"Sanches Ruivo, que foi o primeiro luso-descendente a ser eleito para a Câmara de Paris, considera que a responsabilidade desta performance negativa recai também sobre os sucessivos governos portugueses. Tem sido feito muito pouco para promover a língua portuguesa, constata. Um resultado: em França, apenas 30 mil pessoas estão a aprender português, os estudantes de italiano são quase 300 mil, os de espanhol três milhões.

SÃO COINCIDÊNCIAS A MAIS. Os sistemas educativos do Luxemburgo, Canadá, Reino Unido, Suíça, França e Portugal, sendo muito diferentes - e alguns deles muito prestigiados internacionalmente - apresentam os mesmos dois problemas com os alunos portugueses: Abandono escolar e insucesso...

Não seria de explorar a possibilidade de estarmos perante um problema cultural de fundo, dos portugueses em relação à escola e à necessidade do estudo ?

Andou o Ministério da Educação, nos últimos anos, sob a liderança de Maria de Lurdes Rodrigues, com o beneplácito de um agradecido José Sócrates, com o apoio propagandístico de alguns "opinadores", como Emídio Rangel ou Miguel Sousa Tavares, a despejar sobre a opinião pública a ideia de que os professores portugueses eram uma espécie de crápulas, responsáveis pelo abandono escolar e pelos maus resultados dos alunos, para vir agora um estudo do Ministério da Educação do Luxemburgo revelar que são os estudantes portugueses naquele país os que registam mais abandono escolar e piores resultados.

Afinal, como prova esse estudo, reforçado por situação idêntica noutros países, como os Estados Unidos, o Canadá, a Grã-Bretanha e a Suiça, o facto das famílias portuguesas emigrantes não valorizarem o estudo e o ensino, está na origem do abandono escolar e dos maus resultados.

Ou seja, em sistemas de ensino diferentes, com condições de trabalho e formação dos professores diversos, o resultado é sempre o mesmo em relação aos estudantes portugueses: alto índice de abandono e fracos resultados escolares.

Apontam ainda aqueles estudos como principais responsáveis pela situação as famílias que não valorizam os estudos. Obviamente que em Portugal a razão é a mesma.

Depois da divulgação desta notícia, só por má-fé, ignorância e/ou inveja social é que o "bando" de Maria de Lurdes , os "opinadores" do costume e o "paizinho" Albino Almeida, podem continuar a despejar sobre a opinião pública a ideia da "culpa dos docentes" pelo estado do ensino indígena.

De facto existe na sociedade portuguesa uma tendência generalizada para desvalorizar o estudo, o esforço intelectual e a responsabilidade das famílias na educação dos filhos.

O ataque desferido nos últimos anos à classe docente tem contribuído para agravar ainda mais essa situação.

Num país onde "opinadores", economistas e políticos transmitem como imagem de valorização pessoal e económica, actividades como a especulação financeira e imobiliária, o futebol e os concursos de fama efémera, não é de admirar que se desvalorize socialmente o conhecimento e a aprendizagem.

Basta olhar para os escaparates dos quiosques para percebermos isso: existe uma imensidão de publicações dedicadas ao futebol, à vida cor-de-rosa de famosos por serem famosos, ou à divulgação de truques financeiros para enriquecer rapidamente.

Por exemplo, se alguém quiser encontrar uma revista de Cultura, de Arte ou de História, de edição regular, só recorrendo à imensidão de publicações espanholas ou francesas de boa qualidade.

O Jornal de Letras é a excepção, mesmo assim sobrevivendo com dificuldades e quinzenalmente. O Blitz, para sobreviver, teve de passar a revista mensal.

Perante esta realidade até poderíamos ter o melhor sistema de ensino do mundo, que os resultados pouco mudariam.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Se isto não é o Fascismo...







Os dias continuam conturbados pelos lados de Sintra. Ontem, dia dia 9 de Junho, passados quatro meses após o suicídio do colega Luís, o Sr. Director Regional presidiu a uma reunião do Conselho Pedagógico, que se realizou, a seu pedido, em simultâneo com o Conselho Geral e a Direcção. O objectivo era apresentar as recomendações do inquiridor, após conclusão do inquérito. Depois de ter referido que não havia matéria para procedimentos disciplinares, apesar de Portugal inteiro saber que não foi cumprida a lei, conforme documentos que vieram a público, solicitados à própria IGE, no âmbito de um processo inspectivo, realizado ainda durante os tempos conturbados que o Luís viveu naquela escola, o Sr. Director Regional comprovou que o inquérito terminou, conforme começara – nada a apontar à magnífica direcção. Rapidamente os ânimos aqueceram e aquela assembleia transformou-se, num Auto de Fé, presidido pelo responsável máximo da DRELVT: havia que apurar os responsáveis pela difamação da escola nos órgãos de comunicação social e nos blogues, nomeadamente no Umbigo. Foi referido, inclusivamente pela directora, que o seu autor, mesmo que vendesse os seus potentes computadores, não teria dinheiro para pagar o que lhe iria ser exigido.
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A presidente do dito Conselho referiu que muito havia a fazer nos concursos de professores, nomeadamente uma triagem dos professores, para verificar os que tinham problemas psicológicos, para que não contactassem com os alunos. É evidente que neste âmbito estavam os loucos e os que denunciavam as situações que deveriam ficar escondidas, os malditos, os que difamam a escola, os que não deixam trabalhar, as “ervas daninhas”, que teriam que ser imediatamente banidas daquele local…
Os pais fizeram coro, reforçaram e disseram que se o Dr. Daniel Sampaio fizesse exames àqueles professores, logo concluiria que eles teriam que ser afastados do contacto com os alunos.
O Presidente da Junta disse de sua justiça: na sua instituição nada daquilo acontecia porque ele aniquilara, expulsara os que lhe tinham feito frente!
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Era isso que teria que acontecer ali. O Sr, Director Regional disse que competia à directora abrir processos disciplinares aos professores que continuassem a dizer coisas que não deviam, de outro modo teria que recorrer “à bomba atómica”.
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È evidente que foram citados nomes de professores, de dois, mas que no total não iriam além dos dedos de uma mão. Se se tiver em conta que o Agrupamento tem cerca de cento e cinquenta professores, aqueles outros devem ser de uma grande eficiência, pois conseguiram aquilo que Sócrates pretendeu mas não conseguiu – dominar a comunicação social! Mais, são eles que não deixam os outros trabalhar!
Pergunto: o que andamos a ensinar aos nossos alunos nas aulas de Formação Cívica, de HGP… Eles sabem que no 25 de Abril acabou a censura, a perseguição pela PIDE, a liberdade de expressão tornou-se realidade… Mas será mesmo assim? Então os professores não podem ter os mesmos direitos dos outros cidadãos!
Hoje dizia-me um jornalista: ” já não percebo nada disto, há professores que podem falar, podem identificar-se, outros só falam sob anonimato por causa dos processos disciplinares”. Pedi-lhes para averiguar porque fazer jornalismo é ir à origem das coisas, conhecer as fontes, questionar os direitos e liberdades dos cidadãos.
Pela minha parte reconheço que já não sei nada. Só sei que a IGE reconhece que a lei não foi cumprida nas diferentes situações que averiguou, mas que apenas emitiu recomendações. No caso concreto do Luís, não o poderia ter feito, tratava-se de um inquérito e neste caso só poderia haver arquivamento ou procedimento disciplinar.
Quem viola afinal a lei?
Fiquemos à espera da fogueira porque o Auto de Fé já ocorreu e não tarda que os criminosos tenham que ser queimados.
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Paulo, fica ao seu critério publicar ou não este post. Foi um dos visados e será certamente alvo de muita perseguição. Eles prometeram.
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Mas não se esqueça do que o ano passado aqui foi publicado porque quem prometeu transformar aquela escola “na Casa Pia do Concelho de Sintra” está no poder e já começou: proibiu um professor de entrar na escola, que durante quinze dias foi ameaçado com uma arma num curso CEF. A explicação foi a protecção ao professor. Só que a acusação foi de assédio. Aqui não é preciso procurar saber quem divulgou para a imprensa, a escola em peso sabe do que se está a passar e quem está a escrever este texto estava no encontro do Bloco, enquanto tudo estava a decorrer na escola: a protecção ao professor através da sua expulsão.
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Explique-me como faz para denunciar as situações que diariamente escurecem as nossas escolas, sem ter ainda sido alvo de processo disciplinar, falando abertamente dos problemas…


[ Nota minha: sinceramente, não sei... acho que me limito a demonstrar que o que me move é a transparência, mais nada... mas a sorte um dia acaba. Aliás, ao nível das ameaças já tenho a minha conta... de diferentes quadrantes...]
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Só queria acrescentar mais uma coisa – o Conselho de Escola não reuniu quando o Luís se suicidou e a irmã lhe dirigiu uma carta para reflexão do que estava a acontecer. Não é preciso reunir porque todos confiam nos dotes superiores da directora para dirigir o agrupamento. A nossa democracia é muito especial…
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Uma professora na clandestinidade