segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Requiem pela Escola Para Todos


Estes anos de difamação e perseguição aos professores, de permissividade do caos e da violência desbragada nas escolas, de promoção do vácuo sob a capa de teorias pseudo-pedagógicas, tinham uma finalidade.

A opinião pública está intoxicada, de modo que noutro dia o meu vizinho António até me disse:

- Ó Sr. F, esta vossa Ministra é que é como vocês queriam! Já vos deu o aumento de ordenado!

Não adianta. É isto que tem sido martelado ao povo.

Há anos que o digo, e está a começar a cumprir-se. O Ensino Público será apenas, após este processo criterioso de destruição, apenas para os moradores dos guetos (que vivem dos rendimentos mínimos e da marginalidade) e para quem trabalha (e paga todo este regabofe).

E está a começar assim:

As escolas estão a sair do Património do Estado. O contribuinte pagou e pagará para fazer novas, enquanto as velhas passam para a mão de privados que as deitam abaixo e rentabilizam os terrenos:

"Com a propriedade destas escolas, a Parque Escolar ficará na posse de milhares de metros quadrados, localizados na maioria dos casos em zonas centrais de inúmeras cidades. Juristas contactados pelo PÚBLICO frisam que as empresas públicas têm de obedecer a muito menos prerrogativas do que o Estado quando se trata de alienar património, uma operação que se torna assim "muito mais fácil" de realizar por estas entidades. Nos últimos anos têm sido também várias as empresas públicas, com o património respectivo, que foram privatizadas."

Está no site do Público.

E neste horário matutino em que os indefectíveis do PS ainda não invadiram a caixa de comentários, comenta-se assim:

Assalto aos bens públicos
Continua o roubo descarado dos bens que são de todos nós! E ninguém se preocupa... Votam sempre nos ladrões dos bens comuns.

O contribuinte paga, os privados lucram
Mais uma negociata ao bom estilo liberal: gasta-se o dinheiro dos contribuintes na modernização das escolas e depois estas passam a fazer parte de uma empresa pública que uns anos depois passará a deter capital privado, e que mais uns anos será totalmente privatizada. Foi assim com a Galp, será assim com as escolas. Será o primeiro passo para a privatização do ensino?

República, SA
Que raio de Sociedade Anónima é esta, da República Portuguesa. Temos Presidente, Presidente executivo e conselho de administração e até se tem de pagar às listas opositoras e pôr o país a andar para a frente, nada... ainda para mais os dividendos são ao contrário, pois temos de pagar todos impostos. Agora para piorar mais as coisas há criações de spin-offs, apenas em manobras de tentar haver maior concentração no core-business. Mas qual é o core-business de um Estado? Não é justamente proporcionar condições para que exista Democracia: Igualdade, Fraternidade e Liberdade? Que se traduzem em igual acesso à Educação, Saúde e Emprego? Onde é que há igualdade, se em vez desses príncipios se assiste a acessos privilegiados a quem é detentor de um cartão partidário e ainda para mais julgando-se acima do mundo fazem valer o seu poder em afirmações arrogantes. O PS poderia ser o partido mais democrático em Portugal, mas acaba sempre minado pela sua máquina partidária. O PM peca por isso. Devia ver o exemplo dos seus antecessores e fintar o partido. Assim nunca fará Governo. Ainda assim cumprimento o nosso Ministro das Finanças pelo seu trabalho consciente. Os outros têm é de gastar menos.

Lindo
Empresa fantasma, mais uns poucos de directores e administradores com vencimentos dourados. O povo que pague a crise.

além dos "boys"..
... daqui a algum tempo a escola é convenientemente deslocada do centro da cidade para a periferia e o terreno vendido como desculpa para pagar aos investidores. nada é ao acaso.

Ensino privado distancia do pobre ensino estatal
Não podemos deixar que as crianças comecem a viver uma realidade separatista e classicista quando não tem noção desta desgraça de realidade que vemos hoje! O governo quer criar um forte ensino particular que por sua vez vai ditar as posições dos indivíduos na sociedade. É claro que daqui há 20 anos, só os filhos vão substituir os pais no governo e nas grandes empresas privadas devido ao estatuto académico que tem. O PM esta cada vez pior, espero que em Abril deste ano o Sr Presidente da Republica Cavaco Silva acabe com a ditadura do PM e então começos a corrigir os erros e maus causados pelo PM.

Venham cantar o regime!
Mais uma aldrabice, produzida pela ética republicana, maçónica, laica e socialista. Já sabemos para que serve e não queremos! Não queremos continuar a ser roubados para que os "bois" continuem a mamar. É verdade... cada vez há mais "fundações" tipo fundação boxexas e cia... Chega!!! Não há para aí mais nenhum Zeca Afonso para cantar o regime que nos desgraça???


Etc. ...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Um Testemunho Eloquente

Aconselho a leitura deste post do blog Porque Me Dizem:

Das Janelas da Minha Escola.

«Venho partilhar convosco, os que não têm o privilégio de ficarem algumas horas numa das tais janelas da minha escola, uma experiência que é muitíssimo hilariante…


Começa o dia e, de qualquer janela, vejo dezenas de alunos a fumarem os seus charros antes do toque de entrada da manhã, enquanto os dealers se afadigam entre entregas e trocos, a maior parte das vezes utilizando o capot de um carro onde não esteja ninguém sentado. Invariavelmente, são os mais pontuais. Como é sabido, os alunos devem-se divertir na escola e as aulas são muito mais engraçadas quando metade dos alunos está pedrada… Como tal, os alunos dealers fazem o seu importantíssimo trabalho com eficácia e atenção. Depois, uns entram para usufruírem do espectáculo que é uma aula dada a alunos nessas condições, em que o professor é o palhaço de serviço e é-o tanto melhor quanto mais tentar travar a insolência e as risadas irreprimíveis que aquelas almas não conseguem evitar…


Lá fora o trabalho continua, pois vão chegando os mais retardatários e já começam a aparecer os que foram para a rua ou porque, simplesmente, não lhes apeteceu estar lá mais tempo e resolveram sair. Como se sabe, estão no seu direito… Há um que se lembra de executar a nova moda, o lançamento de bombas de ácido com não sei mais quê. Enche uma garrafa com um ácido qualquer enfia-lhe uma prata, ou lá o que é, e o engenho é arremessado ou deixado à porta ou dentro do caixote de lixo de uma vizinha. O estrondo dá-se, potente, e da fumarada resultante sai uma moradora a tentar afastar com uma vassoura a garrafa que vai ardendo, entre as risadas e bocas dos alunos que se vão divertindo e, como já prepararam outra, a atiram para perto dela obrigando-a a fugir antes que rebente…


É a altura de telefonar para a portaria. Olhe, avise o segurança que já começaram as bombas… Já ouvi professor, já chamámos a polícia. Agora é preciso é que eles cheguem… Está bem, obrigado. Nada, mais bombas, mais risos e mais alunos sentados em grupos por tudo o que é carro estacionado… Os mais incautos apressam-se a ir retirar os seus carros do local onde o estacionaram, não vão acabar por pegar fogo, como, por vezes, acontece… São os alunos a aplicarem os seus conhecimentos noutras situações fora da sala de aula. Um Golf vermelho a gasolina e com mais anos que a avó do Matusalém, com umas letras pintadas a dizer nem sei bem o quê, estaciona na ponta oposta. É a polícia, cuja chegada se anuncia, primeiro e antes da vista nos informar da sua presença, pelos apupos, vaias e insultos com que os alunos os brindam… São só dois, não se vão lá meter… Entram para a escola e vão falar com a direcção. Mais bombas. O delírio aumenta, na mesma proporção do consumo de charros… Chegam mais dois ou três carros daqueles mais regulamentares e o ambiente vai ao rubro, quem não soubesse pensaria tratar-se de um jogo de futebol.


Saem dos carros e espalham-se aos grupos pelo meio da rua, enquanto dentro da escola e por detrás dos carros os alunos os vão brindando com tudo o que aprenderam da leitura de Gil Vicente. Ali ficam. Não revistam ninguém, não abordam ninguém, não fazem nada senão escutar a prosápia vertida pelas gargantas dos alunos, agora mais satisfeitos porque chegaram mais palhaços para mais e melhor os animar. A escola está fixe, assim já se começa a justificar o emprego das verbas que deveriam servir para lhes aumentarem os subsídios para poderem comprar mais droga e mais ácido para fazerem explodir, mas tudo bem, o divertimento também é importante…


Finalmente, após uma hora de exposição pública aos alunos e como estes já começam a ficar sem voz, vão-se embora, com muita pena dos alunos que consideram um direito adquirido competirem entre si a verem quem insulta e toureia melhor os agentes da autoridade. Novas bombas explodem por vários lados e volta a vizinha, o incauto que por ali estacionou e eu vou-me embora. Acabei de cumprir as minhas horas de componente não lectiva, não sem antes perguntar se querem saber quem atirou as bombas ou coisa assim, mas não, eles já sabem quem são, não vale a pena. Ok, vou dar aulas.»



Os teóricos que têm presidido aos destinos do Ensino em Portugal querem que tudo funcione como na cabeça deles. Mas no terreno, tudo se subverte. Os teóricos vivem num mundo de fantasia.