domingo, 23 de outubro de 2011

"Perseguição na escola leva a morte"



Lisboa

Perseguição na escola leva a morte

Menino de 10 anos era gozado e agredido pelos colegas, em Benfica. Mãe foi encontrá-lo morto no quarto


Saiba todos os pormenores na edição em papel do jornal 'Correio da Manhã'.

Muitas vezes avisei, neste blog e não só, que a luta dos professores (pelo menos a minha) não era/é por "mais dinheiro", como os políticos tentam fazer crer. A luta dos professores (pelo menos a minha) é fazer parar a espiral de violência que tomou conta das escolas, com o beneplácito do anterior Governo de Sócrates, Maria de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos.

Eu sei que sou um chato, eu sei que há 6 anos que digo o mesmo, eu sei...

Lembram-se da reportagem da RTP, chamada "A Violência Vai à Escola"? Lembram-se de que a reportagem foi retirada da Internet e que os jornalistas foram processados pela Ministra, porque na óptica dela, tinham "atentado contra a privacidade dos alunos"? Alunos esses que eram alguns matulões que dentro das salas de aula caminhavam sobre as mesas, jogavam capoeira, berravam, batiam nos mais fracos, massacravam os professores...

Agora as pessoas, como sempre, pedem contas aos professores. Mas os professores estão de mãos atadas. Se algum professor se tivesse atrevido a tentar parar a perseguição a este aluno ficava mal visto perante os directores (homens de mão do Poder), tinha a sua carreira ameaçada, e ficava na mira dos pais dos alunos, que iriam à escola jurar a pés juntos que se tratava de "coisas de miúdos, sem importância".

Presos por ter cão e por não ter, portanto.

As pessoas não estão nas escolas, e não sabem. Quando os professores lhes repreendem os filhos, vão lá bater nos professores, ameaçá-los, fazer queixa deles. Quando os filhos são alvo de violência vão lá bater nos professores, ameaçá-los, fazer queixa deles, porque deviam ter defendido os seus filhos.

As pessoas não estão nas escolas e não sabem que os professores são empurrados, ameaçados, esbofeteados, cuspidos, por alunos que lá andam apenas para a família receber dinheiro. As pessoas não sabem que agora nas escolas quem manada são os directores, e que os directores abafam tudo. As pessoas não sabem que já tem havido professores que, como este pobre aluno, também se mataram. As pessoas não sabem, e por isso não compreendem o nosso drama. As escolas já não são nada. São um viveiro de bandidos, onde os bandidos fazem alei e onde quem detém o poder fecha os olhos e diz que está tudo bem, para não perder o o tacho.

As pessoas não sabem que eu, por não me calar e, entre outras coisas ter este blogue, já fui várias vezes ameaçado, e estou na lista negra para ser dos primeiros a apanhar uma "porrada" valente, na primeira oportunidade. Porque "porradas" pequenas, essas, já as levo com fartura. Porque a mim me importa, acima de tudo, o sofrimento de meninos como este, que se matou. Muitos outros estão no mesmo ponto.

E sobre estes cadáveres virão comissões de estudo e outros abutres, para se banquetearem com mais uns tachos. Exigir-se disciplina (Oh, palavra proibida, que "cheira" logo a "fascismo"!!!), direitos e deveres nas escolas, isso não. Correr-se com os criminosos das escolas, isso jamais... Não é politicamente correcto.

2 comentários:

  1. Eu acredito e concordo com tudo o que está aqui escrito. Mas por estes dias descobri que também há professores que para defenderem os "seus interesses" desvalorizam os alertas dos pais em relação aos seus filhos e colocam de parte o bem estar psicológico do aluno. Dizem que é tudo uma questão de adaptação, "3 semanas e as birras passam",o pai alerta que o piorou o seu aproveitamento, a escola diz não valorize demasiado a situação o aluno chora que não se sente bem na turma, a psicóloga confirma que o aluno não está bem e a escola diz que por agora não têm nada de grave para que ele seja mudado de turma. Não sei o que esse grave? Será que há alguma razão para esta notícia, ou não?

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  2. Obrigado pelo seu comentário, amigo.

    Tem razão, mas sabe como é que é, muitaz vezes?

    Se eu quiser valer a um aluno que é maltratado pelos colegas, a direcção da escola é capaz de achar que sou eu que sou um picuinhas. É que a direcção está no gabinete, e o que quer é apresentar números que digam que não há problemas na escola. Por isso é-lhes mais fácil ignorar.

    E se eu insistir, é simples: na primeira oportunidade tenho uma má avaliação, ou levo com serviço chato, ou sou metido no quadro de mobilidade, que é para aprender não fazer ondas.

    Toda gente vê as coisas que estão mal, mas poucos dão a cara, com receio destas represálias.

    O Irrelevante

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