quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"Enquanto ninguém morrer, não acontece nada"






Expulsar o filho do casal é cenário “impensável", diz director do agrupamento (foto de Daniel Rocha (arquivo do jornal Público a acompanhar a notícia)



"Enquanto ninguém morrer, não acontece nada"

É assim que um leitor do Público comenta esta notícia, que vale a pena transcrever toda:

Situação arrasta-se há dois anos

Pais agridem professora dentro de sala de aulas em Sesimbra


Uma professora da Escola Básica n.º 3 da Quinta do Conde, em Sesimbra, foi agredida dentro da sala de aula pelos pais de dois alunos, confirmou hoje à agência Lusa fonte da GNR.

“Foi apresentada queixa à Guarda e a situação está a seguir os trâmites”, disse a mesma fonte.

Em declarações à Lusa, o director do agrupamento escolar da Quinta do Conde, Eduardo Cruz, explicou que “os pais de dois alunos [um rapaz e uma rapariga] dirigiram-se ontem [terça-feira] à sala e agrediram fisicamente a professora com estalos na cara em frente a toda a turma”.

Segundo o responsável, esta é uma situação que se arrasta há dois anos e que já tem motivado reuniões com os pais em causa, com a Escola Segura (da PSP), com o coordenador da área educativa e com o gabinete de segurança do Ministério da Educação.

Contudo, esta é a primeira vez que estes pais agridem fisicamente um funcionário da escola.

“Qualquer brincadeira que envolva algum contacto físico com o filho motivava a ida do casal à escola para tirar dividendos da situação, mas das outras vezes insultavam as pessoas”, explicou Eduardo Cruz.

Hoje de manhã, o director do agrupamento escolar esteve reunido com pais que “bloquearam o acesso à escola”, pelo que não houve aulas, mas à tarde a situação já está normalizada. O responsável adiantou à Lusa que alguns pais exigem a expulsão dos irmãos, mas assegurou que esse é um cenário “impensável”.

“A escola é um direito que assiste às crianças e não é por aí que vamos”, afirmou.

Para já, Eduardo Cruz accionou os “meios disponíveis para garantir a segurança na escola”, através da Escola Segura e do gabinete de segurança do Ministério da Educação, e apresentou queixa junto do Tribunal de Sesimbra.

A GNR esteve hoje de manhã na escola para evitar desacatos, mas a situação esteve “pacífica e ordeira”.







O meu comentário:

CAPÍTULO 1

Há dois dias, apareceu nas notícias o caso de um aluno que asfixiou outro com uma cadeira, quase até o colega desfalecer - leia-se morrer. Isto numa escola primária, agora imagine-se quando estes meninos atingem 1 metro e oitenta, quem é que os pára... As funcionárias auxiliares que medem 1 metro e meio?

A par com comentários razoáveis, algumas pessoas, nos cafés e nos espaços de comentário dos jornais online diziam coisas como:

- "Os professores e os funcionários de certeza que não estavam na sala de aula, para isso ter acontecido. Foram todos ao café."


- "Os professores deixam isso acontecer porque não querem saber dos nossos filhos. Só querem saber do ordenado".


- "É uma vergonha. Noutro dia uma filha minha queixou-se a uma funcionária e ela disse que não queria saber".



- "Se fosse comigo, ia lá à escola e dava com uma cadeira em cima da professora e das funcionárias".


A maior parte dos comentários são favoráveis a haver disciplina e não culpam os adultos, mas neste último comentário é está o problema... É que uma pessoa bem pode estar-se nas tintas para gente meio louca que tem opiniões meio loucas. O problema é quando essas pessoas invadem uma escola e espancam alunos, funcionários ou professores, como hoje aconteceu.


CAPÍTULO 2

É certo que a escola fica situada na Quinta do Conde, que tem muitos alunos "socio-economicamente desfavorecidos", como agora se diz. E muito se poderia dizer acerca das desigualdades sociais, dos problemas económicos do País, que atiram muita gente para a marginalidade. Uma discussão importante, sem dúvida, mas que tem servido para algumas ideologias desculparem toda a violência, nas escolas e fora destas.

É a ideologia do "coitadinho". Coitadinho, ele só se porta mal porque vem de um meio desfavorecido.

Sim, isso nós sabemos,. Mas em que é que se ajuda o "coitadinho" em desculpar-lhe toda a má educação e actos de violência?

Pelo contrário. A permitir que estes alunos façam todos os desmandos que lhes apeteça, está-se a obter os seguintes efeitos:

1 - os alunos, mais tarde, fora da escola, acabam por ter problemas com a Lei, e mais graves, porque cá fora ainda não há a impunidade que há nas escolas.

2 - Os alunos que se comportam bem não têm ambiente para aprender, além de andarem frequentemente aterrorizados. São muitos os casos de alunos que têm que ficar em casa, com receio de apanharem mais, e que estão com graves depressões.

3 - Não é bem como o leitor diz - "enquanto não morrer alguém" - pois infelizmente o que não falta têm sido alunos, e também professores a suicidarem-se. O Público e outros órgãos de comunicação, têm feito eco desses trágicos desfechos.

Então pergunta-se: isto é bom para quem?



CAPÍTULO 3


Os professores ou os funcionários escolares não são heróis, nem são mais do que outros trabalhadores. Como também os médicos, enfermeiros e auxiliares hospitalares. Como também os polícias, os guardas, os militares.

Mas são profissões em que a produtividade não é exactamente igual a empacotar garrafas de vinho, com todo o respeito por quem o faz. Um embalador de garrafas pode embalar o mesmo número de garrafas com bom ou mau humor, com dedicação gosto ou com muito má vontade. Desde que as garrafas fiquem bem embaladas...

Mas nestas profissões em que se lida com pessoas, a dedicação, o gosto de servir, contam muito, e a motivação é determinante.

Não defendo aqui que estas profissões devam ser mais acarinhadas que as outras. Mas pelo menos que não façam exacta,ente o contrário - que foi o que o anterior Governo fez, com especial incidência em quem trabalha nas escolas.

Foram 6 anos em que a opinião pública foi bombardeada (com o jeitinho amigo de alguns jornalistas amigos) com ideias tais como:

Os professores ganham muitos milhares de euros por mês e não trabalham nada, têm só uma turma ou mesmo nenhuma; os professores e os funcionários estão sempre em greve a pedir mais e mais dinheiro; os professores e os funcionários não querem saber das crianças para nada; etc., etc., etc..

Pessoas de cabeça fraca acreditam nestas balelas e depois passam á prática, pois perceberem, pelos muitos casos já ocorridos, que nada lhes acontece se baterem em pessoas que trabalham nas escolas. Um certo representantes dos encarregados de educação até parecia gostar muito destas ocorrências, pois costumava aparecer na TV com um grande sorriso a dizer que eram coisas pontuais e sem importância. Está visto que para ele não são pois não é ele que apanha nem os muitos filhos e filhas que tem...

O anterior Governo quis aplicar a certas profissões um método de medir produtividade do género de contar as garrafas embaladas. A profissão docente, que era tão respeitada como as outras (embora seja peculiar em muitos aspectos e se preste a algumas paixões e manipulações), passou a ser uma profissão odiada pela Opinião Pública menos dada a pensar e portanto mais fácil de manipular.

A quem serve isto?



CAPÍTULO 4


As pessoas ainda não entenderam que os professores e os funcionários pouco ou nada podem fazer, porque as coisas funcionam assim:

- O aluno asfixia o colega com uma cadeira, e a professora está sujeita a levar uma tareia dos pais do aluno asfixiado, "porque não protegeu o filho como deve ser".

- Mas se a professora repreender ou castigar (agora chama-se "aplicar uma medida preventiva e dissuasora")o aluno "asfixiador", leva por sua vez uma tareia dos respectivos pais, que acham que se trata de uma perseguição ao menino, pois estas coisas "são normais nestas idades e podia ter sido ao contrário e assim o menino pode ficar traumatizado".


É psicologia de algibeira, da mais barata. Mas quem fica mesmo traumatizada em ambos os casos é a professora, que vai receber tratamento hospitalar e nem pode queixar-se às autoridades, pois passou a ser um subentendido que apanhar faz parte do ofício.

CAPÍTULO 5

Esta situação instalou-se em 6 anos, mas vai demorar muito a debelar. A actuação deste director é simplesmente:

- inqualificável, chocando contra todo o bom-senso.

- compreensível, pois foi ao abrigo da ideologia do "coitadinho" que ele lá foi colocado e assim assume o seu papel.

Dizer que os alunos em questão têm direito frequentar a escola e que por isso é "impensável" mandá-los embora, é o mesmo que permitir que uma pessoa que roube, espanque ou insulte, ande em liberdade, porque "tem os mesmos direitos que os outros cidadãos".

É claro que tem, senhor director. Mas onde ficam os deveres?

E a quem serve esta ideologia arrevesada? O que serão as escolas públicas, por este andar, dentro de outros 6 anos?

Depósitos de crianças pobres? É que quem pode tem os filhos em colégios particulares.

E depois vêm algumas pessoas (das que batem na professora) sentenciar com uma lógica imbatível o inatacável silogismo de que:

- Os alunos do Privado têm melhores notas que os do Público;

Logo -----» Os professores do Público são incompetentes.

(!!!!!!)



CAPÍTULO ÚLTIMO

E uma palavra para as auxiliares, em cujas fileiras há elementos que têm actos de verdadeiro heroísmo anónimo, na dedicação que têm às crianças e que o dinheiro não paga (chegam a ir trabalhar de graça, aliás). Elas mais que ninguém estão presas por ter cão e presas por não ter. Apanham com toda a loucura que reina nas nossas escolas (governadas da forma que esta notícia ilustra), e são acusadas simultaneamente de repreender os meninos e de não os repreender. os pais ralham, ameaçam insultam e agridem se a funcionária ralha com o seu rebento, como ralham se ela não ralha com quem o incomode!

Quem não acredita que assista um período de intervalo em escolas daquelas dos subúrbios. Que testemunhe o tropel, o caos, o asneiredo, as agressões, a falta total de autoridade que fez com que as normas praticamente já não existam. E só não é pior porque muitos alunos "problemáticos" precisam de estar na escola para justificarem certo tipo de rendimentos que as famílias auferem. Se não, seria bem pior, estou certo.

E tudo isto com contrato a termo certo e a ganhar uma miséria.

2 comentários:

  1. Olhe que de irrelevante o post não tem nada. Boa analise.

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  2. Obrigado, Zebedeu.

    Isto pretende ser uma análise simples, na esperança de que os pais e os políticos de boa vontade vão percebendo o que se passa.

    Os chamados analistas desconhecem a realidade, assim querem continuar, e só lhes interessa a agenda político-partidária que têm que fazer passar.

    Os chamados estudiosos vivem disto. Passaram anos a inventar teorias e agora que elas falham redondamente vão passar outros tantos a inventar teorias para explicar o falhanço. Nunca deram uma aula.

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