terça-feira, 9 de março de 2010

Jovens Soldados - 1





É uma notícia do jornal Público.

Estas coisas, lidas assim, até parecem boa ideia, para quem não está dentro do assunto. Para quem conhece os jovens de hoje, e para quem ainda se lembra de ter sido jovem, esta medida é exequível em escolas do 1º ciclo, eventualmente do 2º ciclo, mas nunca numa escola "hard-core", do tipo da Marquês de Pombal, aqui recentemente abordada.

Os miúdos já estão "monitorizados" desde os 3 meses de idade, quando começaram a ser armazenados. Do infantário passaram para o Jardim de Infância ou para a "pré-primária". Chegaram ao 1º ciclo (antiga 1ª classe) já fartos da escola até à ponta dos cabelos, pequenos soldados a marchar desde o berço, arrancados da caminha às 6 da manhã, sair às 6 da tarde, banho e cama.

Nunca puderam brincar, e nem sabem brincar, pois fizeram "actividades lúdicas", devidamente supervisionadas, e/ou estiveram anos à frente do computador ou da Televisão.

Nos recreios saltam para cima uns dos outros, gritam, compensam o que não puderam ter na idade própria.

"Animadores" nos recreios?

Para quê? Para servirem de chacota? Esta associação de pais está a fazer o que acha melhor, e a mais não é obrigada. Mas não vai funcionar, sem a pedra base que é a autoridade dos adultos, que já não existe nas escolas. Nem fora delas...
Sem que seja reestabelecida a autoridade, sem que as leis gerais da sociedade sejam para cumprir também dentro das escolas, as melhores ideias nunca resultarão.

Uma leitora do Público comenta assim:

Muitas crianças não estão bem

Não há tempo para a família, muitas crianças são "despejadas" nas escolas às 7 da manhã e lá ficam ou nos ATLs até à noite ou sozinhas pelas ruas.

Pouco apoio e vida têm em casa, onde já chegam tarde e a más horas, exaustas fisica e mentalmente, muitas delas com os pais também exaustos e sem paciência de trabalharem todo o dia por vezes em mais do que um emprego.

Depois é fazer os trabalhos quando já deviam estar a descansar, engolir qualquer coisa e ir para a cama, para acordar cedo e ser despejado na escola outra vez para novo ciclo. E se há pais que apesar disto são bons, outros ainda as maltratam, vivendo elas em terror e falta de apoio e compreensão.

Como pode deixar de haver violência neste estado de coisas? O ser humano reage agressivamente, inconscientemente, quando é exercida violência (mesmo que psicológica) sobre ele. E não é com mais pancada e violência que se resolve. Isso aumenta a violência em espiral.

Quem se interessa por resolver isto só pode desejar que se faça todos os possíveis para humanizar mais a sociedade (e são muitas as coisas que precisam mudar) e assim criar crianças mais serenas e felizes. Essas não serão violentas.


Outro leitor escreve assim:


Animadores ou Funcionários?

Algo me escapou... Sinceramente não percebi a ideia de contratarem animadores para os intervalos dos alunos! Actualmente as escolas dispõem de vigilantes ou funcionários que têm como função assegurar a ordem na escola. Se estes vigilantes não a conseguem assegurar, esperam que animadores o consigam?!

Escapa-me como é que pessoas mascaradas de astronautas tencionam acalmar e garantir a ordem nas escolas! Se esta medida seguir em frente, significa que a educação em Portugal e que o ministério da Educação estão cada vez mais loucos...

A educação e a segurança na escola só pode ocorrer com mais autoridade dos professores e funcionários e, acima de tudo, mais educação, cidadania e civismo por parte dos alunos. O problema é que estes valores devem ser passados em casa pelos pais, algo que infelizmente muitas vezes não acontece.

Sem comentários:

Enviar um comentário