terça-feira, 9 de março de 2010

Comunicado da FERLAP

A FERLAP teve a amabilidade de me contactar, e enviar o comunicado que transcrevo abaixo. Apaguei um comentário de um leitor do Público que transcrevi no post anterior, e que, segundo a FERLAP, confundia esta com outra associação. As minhas desculpas!

Reconheço que esta iniciativa é uma tentativa de combater o problema da violência nas escolas. E a FERLAP tem o mérito de empenhar e fazer o seu melhor. Respeito inteiramente esse esforço sincero. Reservo-me o direito de ter uma opinião diferente. Recreios monitorizados é uma ideia que não me agrada. O convívio, a brincadeira, os espaços de liberdade, fazem parte da formação do carácter e do crescimento integral do ser humano. Esta iniciativa, cheia das melhores intenções, acaba por robotizar ainda mais as crianças. Repito que basta que haja autoridade nas escolas para que acabe o actual clima de violência. Problemas sempre haverá, como em tudo. Mas actualmente passa-se das marcas!

No caso dos adolescentes, esta ideia dos recreios monitorizados, dificilmente funcionará. Como habitualmente, aderem, por delicadeza, os garotos bem educados. Os outros, aqueles a quem esta iniciativa se dirige, como sempre, vai passar-lhes ao lado.
É esse o nosso dilema enquanto professores: fazemos reuniões para promover o sucesso escolar, o bom ambiente, tudo e mais alguma coisa. Nunca comparecem os pais dos alunos que causam problemas, nunca aderem os alunos que causam problemas. Comparecem e aderem os alunos bem educados, e os pais responsáveis. Como estes, que, honra lhes seja, querem agir para o bem de todos:


«COMUNICADO À IMPRENSA


Violência nos Recreios!


Somos um povo reagente… um povo que reage, em vez de agir.

Neste caso muito concreto, agir significa prevenir, reagir significa remediar…

Nas nossas Escolas os grupos violentos agem sobre os outros, o sistema reage e tenta (algumas vezes consegue, outras nem por isso) reparar os danos causados pela acção desses grupos.

Ora o que se pretende é que o sistema aja e não apenas que reaja. Agir implica prevenir, ora para prevenir é necessário que haja um investimento na Educação. Esse investimento vai servir entre outras, para que não existam alunos sozinhos nos recreios, os alunos sozinhos são um alvo para os grupos violentos, não havendo alunos isolados os grupos violentos têm tendência a deixar de o ser, não há alvos, qual a necessidade de existirem?

Como o fazer? A ideia da FERLAP passa por um algo a que resolvemos chamar “Animação de Recreios, proposta para uma solução.”

O que entendemos por animação de Recreios?

Animação de recreios será a presença de um Animador (habilitado para isso), ou mais, dependendo da dimensão das Escolas, que estará permanentemente nos Recreios, salas polivalentes e todos os locais onde possa haver alunos isolados.

Este terá por função criar um Recreio agradável, um local que os alunos gostem de frequentar, passando por criar jogos e diversões interagindo com os alunos, fomentando uma ligação que o leve a ser aceite no Recreio como mais um membro deste e não como um “policia”.

Esta presença, aceite, vai permitir entre outras: uma rápida acção sobre qualquer pequeno incidente, impedindo que este se transforme num acto de violência, a identificação de alunos com necessidade de acompanhamento especial, a identificação de alunos problemáticos, dinamizar actividades do interesse dos alunos, criar brincadeiras, etc., enfim vai contribuir para que o recreio seja um local agradável.

Temos perfeita consciência que se a Escola for um local agradável, será muito menos provável que a violência aconteça.

A Escola tem que ser um local agradável, tem que ser um local em que se promova a integração do indivíduo na sociedade adulta, preparando-o para que seja um adulto sociável, mesmo quando o seu presente e passado, foi tudo, menos social, ora porque cresceu em locais problemáticos, ora porque provem de uma família problemática, disfuncional ou afim.

A Escola tem que ser um local em que as crianças e jovens consigam ter a qualidade de vida que não conseguem ter quando não estão na Escola.

Uma Escola agradável vai permitir que os nossos filhos, os homens e mulheres de amanhã pertençam a uma sociedade muito mais justa equilibrada e pacífica.

O que lhe ensinarmos hoje, terá consequências amanhã, boas ou más, só depende nós.

Mais uma vez passou a hora de Agir, por isso vamos ter que reagir, mas reagir, AGINDO.


Isidoro Roque

Presidente CE

Actualizado em Terça, 09 Março 2010 19:52»


Para bem
de todos, desejo estar errado e que esta iniciativa possa ter bons frutos.
Esta iniciativa pretende, como é referido no texto, em última análise, proteger os alunos ordeiros dos grupos de bullies:

«Esse investimento vai servir entre outras, para que não existam alunos sozinhos nos recreios, os alunos sozinhos são um alvo para os grupos violentos, não havendo alunos isolados os grupos violentos têm tendência a deixar de o ser, não há alvos, qual a necessidade de existirem?»

(...)

«Este (o "animador") terá por função criar um Recreio agradável, um local que os alunos gostem de frequentar, passando por criar jogos e diversões interagindo com os alunos, fomentando uma ligação que o leve a ser aceite no Recreio como mais um membro deste e não como um “policia”.»

Pergunto eu:

Como pode esse animador fazer-se respeitar pelos grupos de bullies? No 1º Ciclo poderá. A partir daí, será mais um bombo da festa. Esse animador não tem poder, como os funcionários não têm poder. Como os professores não têm poder. Como pode ele sanar os conflitos na raiz, como é referido no texto? Os alunos violentos, os bandos que proliferam impunes nas nossas escolas, é que têm que acabar. Como? Cumprindo as mesmas leis e normas de conduta que os restantes cidadãos cumprem. Não são capazes de viver em Sociedade? Há que proteger a Sociedade desses elementos. As prisões e os reformatórios existem para isso mesmo.

Os cidadãos cumpridores e honestos têm o direito de andar livremente na rua. Os jovens educados e sociáveis têm o direito de brincar livremente nos recreios das escolas. A Sociedade não pode ficar cada vez mais refém dos bandos de marginais!

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