quarta-feira, 10 de março de 2010

Cadeiradas Desanimadoras...



Deu que falar, hoje, esta notícia:

Aluno de 12 anos atacou o docente, que ontem foi de muletas à Escola D. Pedro II, que já abriu um inquérito
Um rapaz de 12 anos agrediu violentamente um professor, na sala de aula e em frente aos colegas, atirando-lhe com uma mochila na cara e batendo-lhe com uma cadeira nas pernas. O caso aconteceu segunda-feira numa turma do 6.º ano da Escola D. Pedro II, na Moita. O professor sentiu-se mal, correu para a casa de banho a vomitar e teve de ser assistido no Hospital do Barreiro. A escola já abriu um processo disciplinar ao aluno, que ontem foi à escola. O professor também surgiu na escola de muletas, mas não deu aulas.
(...)

Foi uma agressão que chegou ao conhecimento público. A revista Visão citava, num número de há meses, que eram 5 por dia os professores agredidos com esta gravidade.
Vale a pena ler a notícia toda, pois o famoso Estatuto do Aluno prevê que "sejam ouvidas as partes", e outros rigores processuais... Como escreveu hoje Paulo Guinote, "Quase Tudo Se Resolverá Com Um Sermão No Gabinete Do Director"...

Comenta o bloguista:

«Com jeitinho a culpa será do professor, que não assegurou o sucesso ao aluno. E fico por aqui, porque é a escola onde fiz o meu ciclo preparatório (em anteriores instalações) e até conheço lá muita gente, demasiada gente, assim como sei mais do que gostaria sobre a cultura que faz o húmus deste tipo de comportamentos».

Ramiro Marques comenta neste post a iniciativa de uma associação de Pais que pretende animadores nos recreios para desencorajarem o bullying. Transcrevemos esta parte:

«Não é colocando rapazolas a fazer umas piruetas nos recreios que se impede os alunos violentos de humilharem e torturarem os alunos mais novos. A solução passa por outras medidas:

Acabar com o branqueamento do bullying e da violência.

Castigar os bullies e os seus encobridores.

Dar poder aos directores para suspenderem sumariamente os alunos violentos.

Criar escolas de segunda linha para acolherem alunos violentos.»

Sem sarcamos, apelo: poupem os animadores, que não têm ainda o calo dos funcionários e dos professores a apanhar cadeiradas...

(Esta associação de Pais é francamente simpática, pelo que me custa ir contra uma ideia bem intencionada, mas de erros e acertos alguma coisa de bom virá, espero.)

2 comentários:

  1. Boa noite,

    Vou colocar aqui o comentário que fiz no ProfBlog, acrescentando apenas o comentário de andrelara.

    "andrelara diz algumas das coisas que lhe queria dizer, por isso vou só dizer as outras.

    (andrelara - Permite-me discordar Ramiro, mas Portugal têm uma ideia muito errada do que são animadores.
    Animadores não são para dar saltos e pinotes, fazem um papel de dinamização e tutoria. Mas não era só nas escolas que eles deveriam existir...também nos centros sociais de bairro (que não existem e que não são só para os bairros "complicados"), associações juvenis etc....Em Marselha existem nas escolas e bairros, na Holanda em zonas de tráfico de droga juvenil...Em Espanha dinamizam por exemplo (entre milhentas outras coisas) clubes de leitura (que são organizações jovens e vivas ao contrários dos nossos dinossauros pseudo-intelectuais) No entanto é preciso uma visão diferente da sociedade...de uma sociedade que inclua os jovens nas decisões ("vamos organizar um concerto", em vez de "vamos ver o Rock in Rio), que eles deixem de ser apenas consumidores de cultura mas também produtores de cultura...

    Mas talvez por isso esta ideia não resultasse...."

    O Sr. faz parte da genarilade do nosso povo, (como dizemos no nosso comunicado), todas as propostas que apresenta são uma reacção a um acto de violência.

    Não apresenta uma proposta para a evitar.

    A nossa ideia não é, nunca o dissemos, não penalizar os alunos violentos, antes pelo contrário. Têm que ser penalizados.

    A nossa ideia é ir mais além. É criar uma Escola em que os alunos se sintam bem, com tudo o que isto quer dizer.

    Sei que podemos parecer utópicos, provavelmente somos, mas temos a certeza que se a nossa utupia servir para evitar um caso que seja de violência, VALEU A PENA.

    Aproveito ainda para dizer o seguinte, e isto, porque falou em dinheiro, existem professores, assistentes administrativos e operacionais, que como o Sr. muito bem sabe, deveriam ser tudo menos a função que desempenham, e no entanto, continuam calmamente a usufruir do seu ordenado, pago por todos nós, contribuindo com a sua incompetência para que a Escola seja o que ela é hoje. O MEU AGRADECIMENTO AOS BONS PROFESSORES, AOS ASSITSTENTES ADMINISTRATIVOS E OPERACIONIAS que continuam a remar contra a maré e a querer uma Escola de QUALIDADE.

    Não podemos tapar o sol com a peneira e culpabilizar apenas algumas das partes envolvidas.

    Este Comunicado se não servir para mais nada, pelo menos serviu para colocar as cabeças a pensar.

    Obrigado pela paciência.

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  2. A única "culpabilização" que eu ou Ramiro Marques fazemos é ao caos que é permitido nas escolas, como se estas pudessem ser território á parte das leis que regem o país.

    Fora da escola não há paliativos e e eternas desculpas para a meia dúzia de marginais que são capazes de virar uma escola do avesso, na certeza da sua impunidade. Cá foram tentam fazer o mesmo e muitas vezes levam um tiro. De um polícia, de um comerciante que não gosta de ser assaltado, de um gangue rival.

    Esse chavão do agir e do reagir não se aplica aqui.

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