sábado, 28 de março de 2009

"Escola-Pesadelo"


Tenho recebido cartas electrónicas de professores e não professores, que entenderam a minha mensagem, escrita com simplicidade, sem termos técnicos desnecessários, jargão do chamado "eduquês", o idioma dos teóricas da Educação, que de tanto teorizarem se esquecem de sair dos seus gabinetes e ver como é a realidade!
A todos agradeço a atenção. Desejava dizer de minha justiça e fui ouvido.
Não tenho capacidade e facilidade de expressão para me atrever a corresponder aos amabílíssimos convites para colaboração. Sigo os vossos excelentes blogues com toda a atenção, e continuo a porfiar pela qualidade do trabalho profissional que presto.

Estou preocupado, e não sou só eu. Um pouco por todo o país chegam os sinais de alarme:

Neste post do blog A Educação do Meu Umbigo é divulgada uma reportagem sobre a violência na escola de Marvila. A reportagem é do Expresso e intitula-se "Escola-Pesadelo".

O subtítulo da peça é "Violência: Ameaças de morte e violência aterrorizam docentes e auxiliares em Marvila" - Ministério admite preocupação".

Ana Henriques, na caixa de comentários, disse:

Ontem, soube, através da esposa do mecânico do meu carro, que incidentes extremamente graves estão a acontecer na escola sede do outro Agrupamento do concelho.Um seu filho, de 13 anos, está a ser seguido por psicóloga clínica, por ter ameaçado suicidar-se. Razão: descobriu-se que, desde há 3 anos, é vítima de bulling (é assim que se escreve?)

Após esta desautorização do (des)governo, os professores e funcionários ficaram sem a réstea de autoridade que ainda lhes restava.
A situação deve estar simplesmente caótica.
Se num agrupamento sem história de grandes incidentes de especial, os professores e funcionários são desrespeitados por alunos e famílias, que ninguém tente imaginar o que se passará em outros locais.
Pior, bem pior, que um filme de ficção.

Margarida
disse:

Escola pesadelo é aquilo em que se transformou a escola pública, em geral, com o constante “assobiar para o lado” por parte das estruturas da própria escola, do ME e de outras instituições com responsabilidades na matéria. Este não é um problema apenas destes últimos anos, é um problema que existe desde há tempo mais do que suficiente para que tivessem sido tomadas medidas eficazes.Quem passa por situações de violência dentro e no caminho de e para a escola muito difícilmente voltará a ser a mesma pessoa.É o reflexo de uma sociedade que se foi degradando, desautorizando, amedrontando, deixando que os agressores se agigantassem e tomassem, pelo medo, as suas vítimas.

DA disse:

Saia mais um TEIP.
E um cheque-ensino para os desordeiros… vão para os colégios da alta.
Liberdade de escolha, sempre!

e

Como alguém escreveu na reportagem, guetos urbanísticos geram guetos escolares. Provavelmente nestas zonas as escolas deviam ser encerradas e os alunos dispersos por várias.

Tollwut disse:

BULLYING começa em casa quando os País não têm tempo para os filhos e os atiram quase a tempo inteiro para dentro de um edifício chamado de escola.

Nuno Sousa disse:

Quando eu andava no Liceu, um amigo meu resolveu armar-se em “bully” (nessa altura ainda nao havia esta designacao) atirando um colega pelas escadas abaixo.
Resultado,foi expulso do Liceu, so podendo voltar a frequentar no ano seguinte.Nao havia ca transferencias para outra escola, com o estatuto de heroi.
Estao a espera de que para fazer o mesmo?
Hoje em dia, quando nao se sabe como resolver um problema, seja por cobardia, seja por as pessoas estarem refens da sua propria retorica, inventa-se uma designacao:os bullies.
Depois manda-se um sociologo fazer um estudo, um psicologo escrever um livro , um assistente social fazer o acompanhamento e uma jornalista estagiaria fazer uma reportagem que geralmente comeca com a frase ‘Os numeros sao assustadores” e acaba com a frase ” a populacao esta a beira de um ataque de nervos”.

Creio que é claro que o que está em causa não são politiquices, jogadas de informação e contra informação. O que está em causa é sério.

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